Milano Cortina 2026 reservou à Itália um terceiro lugar emocionante na staffetta 5000 m do short track masculino: a equipe formada por Pietro Sighel, Thomas Nadalini, Luca Spechenhauser e Andrea Cassinelli subiu ao pódio ao concluir a prova em 6’52″335. A medalha de ouro ficou com a Holanda (6’51″857) e a prata com a Coreia do Sul (6’52″239). Para a delegação italiana — o Italia Team — trata-se da medalha de número 27 em Milano Cortina.
A final dos 5000 metros foi disputada com intensidade e drama. Os italianos passaram boa parte da prova entre os protagonistas e, embora tenham caído para a quarta posição nas voltas finais, reagiram com clareza tática. Nos metros decisivos, Sighel e seus companheiros recuperaram terreno e superaram o Canadá por míseros 90 milésimos, garantindo o bronze em uma prova em que fracionamentos e trocas de ritmo decidiram o pódio.
Do ponto de vista histórico, o pódio de hoje acrescenta uma página ao percurso do short track italiano em revezamentos: é o quarto lugar entre as conquistas por equipes, depois do histórico ouro em Lillehammer 1994 (Maurizio Carnino, Orazio Fagone, Hugo Herrnhof e Mirko Vuillermin), da prata em Salt Lake City 2002 e do bronze em Pequim 2022. Para Sighel e Cassinelli, em particular, a presença no pódio amplia uma sequência positiva: consolidam-se como referências regulares em competições por equipes e individuais, traduzindo um trabalho de formação e continuidade técnica que tem amadurecido nas últimas temporadas.
Nem todas as expectativas italianas foram satisfeitas: na final dos 1.500 metros femininos não veio a tão aguardada medalha. Após uma largada excessivamente cautelosa, Arianna Fontana e a companheira Arianna Sighel (que, como Fontana, já trouxe experiência e títulos ao país) ficaram engolfadas pelas adversárias e quase não tiverem chances efetivas de disputar o sprint decisivo. Fontana terminou em quinto lugar (2:32.783) e Sighel em sexto (2:33.052).
O ouro na prova individual ficou com a sul-coreana Kim Gilli (2:32.076), seguida pela compatriota Choi Min-jeong (2:32.450). O bronze foi conquistado pela norte-americana Corinne Stoddard (2:32.578). Estes resultados reforçam a supremacia técnica da Coreia do Sul no circuito feminino de curta pista e sublinham a margem reduzida entre os melhores atletas mundiais: frações de segundo que, mais do que números, traduzem estratégias, condicionamento e tomada de decisão sob pressão.
A medalha por equipes conquistada pela Itália tem significado duplo: além do alívio competitivo após um dia sem pódios, representa a continuidade de um projeto esportivo que trabalha a resistência, as trocas e a inteligência de prova — elementos fundamentais no short track. Em termos simbólicos, os patinadores italianos transformam a pista em um palco onde se acumulam memórias e expectativa de renovação, conciliando tradição e juventude.
Como repórter e analista, observo que este bronze é mais do que um resultado isolado. É um reflexo das políticas de formação, das escolhas técnicas e de uma cultura desportiva que, na Itália, tem o desafio constante de equilibrar tradição e modernização. Para a torcida e para a federação, a tarefa agora é manter a linha de progresso e converter experiência em resultados consistentes nas próximas etapas do ciclo olímpico.





















