Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
A conquista do ouro e o novo recorde por Francesca Lollobrigida no speed skating não é apenas um triunfo esportivo isolado: é um evento que reconfigura narrativas sobre método, investimento e memória coletiva no esporte italiano. Ver essa vitória ocorrer na venue olímpica montada pela Fondazione Fiera Milano, nos pavilhões 13 e 15 da Fiera Milano, dá à façanha um valor simbólico e concreto que ultrapassa o pódio.
Giovanni Bozzetti, presidente da Fondazione Fiera Milano, sintetizou bem essa dupla dimensão — a da excelência atlética e a da responsabilidade institucional — ao celebrar o desempenho de Lollobrigida como motivo de orgulho e emoção para o país. Para Bozzetti, a vitória confirma que o investimento da Fundação nas Olimpíadas foi um contributo tangível a um projeto internacional e, sobretudo, uma herança estrutural para a cidade.
Há, nessa leitura, duas leituras complementares. A primeira fala do ato esportivo: a determinação, o talento e a disciplina da atleta, qualidades que transformam um resultado em exemplo para as gerações jovens. A segunda é urbana e institucional: a escolha de transformar espaços da feira em arenas temporárias — com a expertise técnica, projetual e operacional necessária — significa deixar um legado físico e simbólico para Milano. Bozzetti ressaltou, com justiça, o papel dos técnicos, projetistas, maestranze e colaboradores cuja competência tornou possível a realização da venue olímpica.
Para quem observa o esporte como fenômeno social, a cena em Fiera Milano é reveladora. Estádios e instalações não são apenas recipientes de performances; são dispositivos que articulam memória coletiva, economia local e projeção internacional. A transformação de pavilhões comerciais em palco de competições de alto nível é, nesse sentido, um gesto de requalificação urbana: converte um ativo industrial em capital simbólico e prático para a cidade.
O mérito de Lollobrigida, portanto, soma-se ao mérito de uma organização que soube combinar visão e capacidade executiva. Como disse Bozzetti, “questa impresa è frutto dell’impegno, della competenza e della dedizione delle tante persone” — uma formulação que, traduzida ao contexto italiano-brasileiro, convoca o reconhecimento coletivo por trás da vitória individual.
Milano, ao acolher e operar com eficiência essa infraestrutura, consolida-se entre as grandes capitais europeias aptas a sediar eventos de relevância global. A vitória no gelo, o novo recorde e a arena montada na Fiera Milano convergem, portanto, para um resultado que é esportivo, urbano e memórico: um episódio que vai ficar registrado não só na lista de tempos e medalhas, mas na paisagem física e institucional da cidade.
Em tempo: além do aplauso à atleta, é justo sublinhar o caráter pedagógico dessa combinação entre investimento público-privado, know-how técnico e estratégia urbana. A ideia de herança — repetida por Bozzetti — é o cerne da preservação do legado olímpico, e a imagem de Francesca Lollobrigida no topo do pódio, dentro dos pavilhões 13 e 15, será um símbolo duradouro dessa ambição.






















