Lindsey Vonn tenta correr a descida de Cortina com o ligamento rompido
Por Otávio Marchesini — Em declaração feita durante a conferência de imprensa da equipe feminina dos Estados Unidos no Curling Olympic Stadium, a veterana campeã americana Lindsey Vonn, 41 anos, confirmou que tentará disputar a prova de descida nos Jogos de Milano‑Cortina, marcada para domingo na pista Olympia das Tofane, mesmo depois de ter sofrido a ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo numa queda em Crans‑Montana.
“Eu me rompii completamente o ligamento cruzado esquerdo”, disse Lindsey Vonn aos jornalistas, sem rodeios. Na mesma intervenção, entretanto, acrescentou: “Hoje calcei os esquis e me senti estável, confiante. Vou tentar competir na descida no domingo”. A esquiadora afirmou que participará da prova usando uma órtese – um suporte protetor no joelho.
O episódio que levou à lesão ocorreu logo após a largada da prova de Copa do Mundo em Crans‑Montana, quando Vonn aterrissou mal após um salto e acabou nas redes de proteção; os esquis não se desprenderam e os socorristas foram acionados imediatamente. Ela levantou‑se tocando o joelho, que mais tarde foi avaliado como lesionado.
Do ponto de vista esportivo e simbólico, a postura de Lindsey Vonn conjuga elementos centrais de sua trajetória: uma carreira marcada por grandes vitórias, lesões recorrentes e sucessivas tentativas de retorno. Não é mera teimosia – é uma construção de significado. Para muitos, a presença de Vonn em Cortina transcende o resultado competitivo: trata‑se de um gesto público sobre resistência, identidade e memória esportiva num evento que retoma o protagonismo italiano no cenário olímpico de inverno.
Há, naturalmente, questões objetivas que cercam a decisão. A descida nas Tofane é uma pista de exigência física máxima, com velocidades elevadas e zonas de impacto que testam a estabilidade de qualquer joelho lesionado. A opção por competir com órtese envolve uma avaliação médica rigorosa sobre risco imediato e consequências a médio e longo prazo para a articulação. Os cuidados de equipe e a transparência do Comitê Olímpico dos Estados Unidos serão determinantes para que a participação se concretize sem comprometer mais a saúde da atleta.
Como repórter que observa o esporte em sua dimensão social e histórica, é preciso also situar o ato de Vonn no quadro maior: atletas veteranos que optam por competir em eventos de grande visibilidade carregam, além de ambição pessoal, expectativas públicas e um papel de representação. A figura de Lindsey Vonn é receptáculo dessas expectativas — para fãs, para a própria equipe estadunidense e para um público que vê no retorno, mesmo em risco, um testemunho da cultura esportiva contemporânea.
Nos próximos dias, acompanhar‑se‑á o desenrolar dos fatos: os exames finais, as orientações médicas e a decisão oficial do staff. Se ela efetivamente alinhar‑se na linha de partida da descida em Cortina, será uma imagem de forte impacto simbólico para estes Jogos — e mais um capítulo na biografia de uma atleta cuja história dialoga tanto com conquistas quanto com a fragilidade física que o alto nível impõe.
Atualizaremos a matéria assim que houver confirmação da participação ou novas informações médicas.






















