Por Otávio Marchesini — Em uma carreira que já se inscreveu na memória coletiva do esqui alpino, Lindsey Vonn, 41 anos, anunciou que sofreu a ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho, mas afirma estar determinada a disputar as Olimpíadas Milano Cortina 2026.
O incidente aconteceu na última sexta-feira, em Crans-Montana, durante a etapa final da Copa do Mundo. Segundo a própria campeã norte-americana, além da ruptura total do ligamento houve também um trauma ósseo — lesão que costuma acompanhar esse tipo de ruptura — e um dano no menisco. “Não sabemos se era preexistente ou resultado do acidente”, relatou Vonn em coletiva de imprensa realizada em Cortina.
Apesar do diagnóstico sério, Vonn descreveu um quadro clínico relativamente controlado: procurou opinião médica, passou por sessões de fisioterapia, treinou em ginásio e fez um teste de esqui no mesmo dia da declaração. “Meu joelho não está inchado e, com o auxílio de uma joelheira, estou confiante de que posso competir no domingo”, afirmou a atleta.
As palavras de Vonn combinam pragmatismo e vontade: “Obviamente, não é o que eu esperava. Trabalhei muito para chegar a esses Jogos em outra condição. Sei quais eram minhas possibilidades antes do acidente e sei que não são as mesmas de hoje, mas enquanto houver uma possibilidade, vou tentar.”
Do ponto de vista técnico e médico, a decisão de competir com uma ruptura de ligamento anterior envolve riscos e um gerenciamento preciso da dor, estabilidade articular e resposta inflamatória. Vonn destacou a importância da equipe — fisioterapeutas, médicos, treinadores e preparador físico — que, segundo ela, está empenhada em deixá-la em um ponto de segurança competitiva.
Essa opção não é inédita na trajetória da campeã. Vonn lembrou que, em 2019, também chegou aos Mundiais em condições físicas aquém do ideal e ainda assim conquistou uma medalha. “Já enfrentei muitas adversidades na carreira. A descida livre é um esporte perigoso; tudo pode acontecer. A vida não é perfeita, mas por quantas vezes caí, sempre me levantei”, disse, colocando o episódio na longa série de recuperações que marcam sua biografia esportiva.
Como observador, cabe situar essa escolha num quadro maior: Vonn não representa apenas uma competidora buscando resultados — ela é um ícone cuja presença em pistas europeias reverbera na história do esqui, na relação entre experiência e risco, e nas expectativas de público e patrocinadores. A decisão de competir com uma lesão grave suscita questões sobre limites, gestão de carreira e as estruturas de suporte ao atleta veterano.
Resta agora aguardar as provas de domingo para ver em que medida a estratégia médica e a determinação individual se traduzirão em desempenho. Se Vonn entrar na linha de largada, será mais um capítulo de sua trajetória: não apenas a busca por pódios, mas a afirmação de um estilo de resistência que, ao mesmo tempo, exige cautela.





















