Em comentário que mistura memória política e paixão clubística, o presidente do Senado, Ignazio La Russa, voltou a polemizar sobre o episódio que marcou Inter x Juve. Em entrevista à Telelombardia, La Russa afirmou que o gesto de Bastoni — que resultou na expulsão de Kalulu — não configura simulação grave e justificou: “Rubare in casa di chi ruba non è poi così grave… Siamo sempre in credito”, retomando uma narrativa histórica de ressentimento entre as torcidas.
Na sua leitura, o contexto pesa tanto quanto o lance: “Nos sentimos roubados pela Juve muitas vezes”, disse o político, convertendo uma queixa de torcedor em argumento público. La Russa insere o episódio numa longa conta simbólica: se a balança já pende em favor da Juventus em reclamações passadas, um lance controverso a favor da Inter seria, aos olhos dele, um simples acerto de contas.
Do lado técnico, o treinador nerazzurro Cristian Chivu buscou moderação. Segundo Chivu, não houve intenção clara de simulação por parte de Bastoni: houve um contato, o defensor caiu e celebrou após a expulsão de Kalulu — nada que configure uma manobra de lesa-majesté da equipe. “Acredito que o árbitro errou na expulsão”, disse Chivu, sem solicitar favores, apenas contestando a severidade da punição.
As reações juventinas foram enérgicas. Diretores e ex-jogadores protestaram junto à arbitragem; entre os relatos, episódios de confronto verbal envolvendo Chiellini e dirigentes como Comolli foram citados. La Russa, por sua vez, não poupou críticas à postura dos adversários no pós-jogo e evocou a memória do escândalo de 2006 — a Calciopoli — para reforçar seu argumento de que a justiça esportiva já havia, na sua visão, penalizado a Juventus.
É nesse ponto que a intervenção política se aproxima do campo da história: ao lembrar que, em 2006, o título foi retirado da Juve e o clube caiu para a Série B, La Russa busca legitimar uma leitura de longo prazo — a de um sistema em que erros, reais ou percebidos, deixaram marcas profundas na memória coletiva dos torcedores nerazzurri. Ele afirma ainda que “Esse tempo acabou”, tentando delimitar distância entre velhos processos e a realidade presente, embora a referência ressoe como acusação.
Mais do que o lance isolado, o debate revela como o futebol italiano segue sendo palco de disputas que atravessam gerações: rivalidades esportivas entrelaçadas com lembranças judiciais e políticas. A queda de um jogador dentro da área, a expulsão de um adversário e a celebração subsequente transformam-se em símbolos de uma narrativa mais ampla — sobre legitimidade, memória e a busca por justiça numa paisagem esportiva ainda marcada por cicatrizes do passado.
Restará à Justiça desportiva e às instâncias competentes avaliar tecnicamente o episódio. Enquanto isso, a retórica pública segue moldando percepções: para La Russa e parte da torcida interista, o fato faz parte de uma conta histórica que, segundo eles, ainda estaria “em crédito”.






















