Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
A Juventus não conseguiu transformar em classificação a recuperação histórica que buscava: após reduzir a desvantagem e forçar a prorrogação, a equipe cedeu a dois contra-ataques fulminantes do Galatasaray e foi eliminada. As redes do clube turco foram balançadas por Baris Yilmaz e Victor Osimhen, que decidiram a vaga nos minutos finais do tempo extra.
Spalletti apresentou alterações táticas desde o início: a presença de Perin no gol — em lugar de Di Gregorio — e a adaptação de McKennie como lateral esquerdo, com Koopmeiners atuando como mezzala, foram leituras defensivas e de contenção do treinador, pensando sobretudo em reagir ao ritmo imposto pelos turcos.
O jogo em Turim começou com equilíbrio, o Galatasaray optando por um possesso lento e defensivo, enquanto a Juventus tentava explorar explosões de velocidade, especialmente com o recuperado Yildiz, que já no início exigiu intervenção do goleiro Cakir. A primeira metade transcorreu sem grandes chances claras até que, pouco antes do intervalo, um lance capital mudou o panorama: Torreira derrubou Thuram na área e o árbitro marcou pênalti. Frio e preciso, Locatelli converteu e levou a torcida à expectativa.
O jogo ganhou intensidade após o recomeço. Mesmo com a expulsão muito discutida de Kelly — inicialmente amarelado e depois transformado em vermelho direto após revisão no VAR — a reação da equipe de Turim foi paradoxalmente ainda mais agressiva. Dominando territorialmente, os bianconeri pressionaram um Galatasaray visivelmente acuado.
A virada moral culminou aos 70 minutos: Kalulu avançou pela direita e encontrou Gatti, que, improvisado como referência, aproveitou a confusão na área e empurrou para o gol. A partir desse momento, a Juve passou a controlar as ações; Thuram teve um gol certo desperdiçado e Yildiz ainda acertou um poste. A redenção parecia consumada aos 82, quando McKennie empurrou para o terceiro, levando a partida para os minutos decisivos e abrindo a possibilidade de levar a decisão para os pênaltis.
Foi na prorrogação, porém, que a narrativa se inverteu. A exaustão dos mandantes abriu janelas para a transição rápida do time turco: aos 106 minutos, num lance de arrancada e conclusão, Osimhen encontrou espaço entre as pernas de Perin e diminuiu. A Juventus ainda tentou contra-atacar em busca do quarto gol que levaria à disputa de penais, mas as forças já escasseavam. No apagar das luzes, aos 118, Baris Yilmaz fechou a conta em um contra-ataque que confirmou a eliminação dos italianos.
O resultado prático é duro: a equipe que mais cedo na noite parecia capaz de assaltar uma recuperação épica acabou derrotada pelo jogo de transição e eficiência do adversário. A leitura histórica que fica é a de uma Juventus que, por vezes, se conflita entre ambição e limites físicos — e um Galatasaray que jogou a cartada do contra-ataque com frieza continental.
Com a classificação, o Galatasaray avança e passará a enfrentar, nas oitavas, uma das inglesas Liverpool ou Tottenham.
JUVENTUS (4-2-3-1): Perin 6; Kalulu 6.5 (3′ st Openda 5.5), Gatti 7, Kelly 5.5, McKennie 7; Thuram 6.5 (33′ st Adzic 5), Locatelli 6.5 (3′ st Kostic 6); Conceicao 5.5 (22′ st Zhegrova 5), Koopmeiners 6.5, Yildiz 7.5 (12′ pt Miretti 6); David 5 (22′ st Boga 6). No banco: Di Gregorio, Pinsoglio, Bremer, Gil, Rizzo. Treinador: Spalletti 7.
GALATASARAY (4-2-3-1): Ugurcan Cakir 6; Sallai 5.5 (13′ st Boey 6), Sanchez 5.5, Abdulkerim Bardakci 5.5, Jakobs 5.5 (42′ st Eren Elmali 6); Torreira 5.5 (…)
Observação editorial: a análise tática e as notas refletem o desempenho em campo — solidariedade coletiva da Juventus, mas insuficiente diante da eficácia letal do Galatasaray na prorrogação.






















