Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — O primeiro Mundial de críquete da Itália terminou neste jogo contra as poderosas West Indies com uma derrota que, apesar do placar, confirma um avanço estrutural do esporte no país. No histórico Eden Gardens, em Calcutá, os caribenhos fecharam o innings em 165/-, enquanto a seleção italiana parou em 123/-, perdendo por 42 runs.
O resultado mantém a campanha dos Azzurri em uma vitória — a histórica vitória sobre o Nepal — e três derrotas, ante Escócia, Inglaterra e agora as West Indies. Ainda assim, o balanço, nas palavras do treinador John Davison, é «mais que positivo»: «agora estamos no mapa deste esporte», declarou o técnico, destacando o alcance simbólico da participação italiana no Mundial T20.
Antes de entrar no campo, vale lembrar a carga histórica do nome West Indies. Em termos geográficos, remonta aos europeus do século XVI que designavam as ilhas entre o Mar do Caribe e o Golfo do México; em termos esportivos, evoca uma era de domínio caribenho que teve ícones como Garfield Sobers, Vivian Richards e Brian Lara. Hoje a seleção continua sendo uma equipe multinacional — com jogadores vindos de Jamaica, Barbados, Guiana e Trinidad — e uma referência competitiva, mesmo que não disponha mais dos lendários elencos do passado.
No sorteio, a Itália optou por lançar primeiro, e os bowlers italianos fizeram um trabalho de contenção notável, conseguindo limitar os visitantes a 165 pontos. O jovem Ali Hasan, 23 anos, nascido no Paquistão e residente em Brescia, confirmou-se como uma das revelações do torneio ao abrir o ataque. A exceção na resistência italiana foi Shai Hope, que anotou 75 e sustentou grande parte da produção caribenha.
Na resposta, os irmãos Mosca voltaram a abrir a entrada ao ataque italiano — lembrança ainda viva do desempenho heróico contra o Nepal —, mas não repetiram ali a parceria eficaz: Justin saiu com apenas 2 corridas e A.J. somou 19. Os melhores na rebatida foram Ben Manenti (26) e JJ Smuts (24), insuficientes para perseguir a meta caribenha.
O que fica, além do resultado, é a leitura mais ampla do fenômeno: a participação no Mundial coloca a Itália do críquete dentro da geografia esportiva global. Não se trata apenas de um número na tabela; trata-se de estruturas que começam a funcionar — formação, experiência internacional, e visibilidade. Para um país onde o críquete ainda é marginal, estar no palco principal já é um sinal de mudança.
Os Azzurri regressam para casa com lições técnicas e institucionais. Perder por 42 runs para um adversário com a história e a profundidade das West Indies não apaga o significado da estreia, tampouco a vitória conquistada em campo. O desafio adiante é transformar essa presença em consistência: clubes, federação e projetos de base terão agora a tarefa de traduzir a aparição no Mundial em legado permanente.
Em termos práticos, o resultado fecha a participação italiana nesta fase do Mundial T20, mas abre capítulos sobre identidade esportiva e investimento — temáticas que, no panorama italiano, ultrapassam o placar e tocam a construção de um novo ator no mapa do críquete europeu e mundial.
















