Otávio Marchesini – Espressso Italia. Em um duelo que extrapolou o campo e entrou nas disputas disciplinares e narrativas midiáticas, o Inter derrotou a Juventus por 3-2 neste sábado, 14 de fevereiro, em San Siro. A partida da 25ª rodada da Serie A foi decidida nos instantes finais, mas marcada, sobretudo, por um episódio que ofuscou o jogo: a contestada expulsão de Kalulu, aos 42 minutos do primeiro tempo.
O confronto teve ritmo e reviravoltas: aos 17 minutos, um autogol de Cambiaso colocou o Inter em vantagem, reação que, pouco depois, viu o mesmo Cambiaso empatar aos 26′. A decisão que reconfigurou as perspectivas aconteceu ainda na primeira etapa, quando o cartão vermelho por dupla advertência a Kalulu deixou a equipe bianconera com um homem a menos. As imagens, as reclamações e a atuação do árbitro La Penna geraram fortes protestos da delegação juventina, em especial por uma atitude interpretada como simulação por parte de Bastoni, do Inter, que chegou a comemorar a exclusão do rival.
Na etapa final, o equilíbrio voltou a se estabelecer. Aos 76 minutos, Esposito recolocou o Inter em vantagem, e a Juventus ainda buscou resposta com Locatelli, que igualou aos 83′. Quando a impressão era a de que a partida caminharia para um desfecho tenso, Zielinski apareceu aos 90′ para definir o 3-2 que sela a vitória nerazzurra.
O resultado tem consequências claras na tabela: o time de casa sobe a 61 pontos e amplia a distância para o segundo colocado, o Milan, para oito pontos, embora com um jogo a mais a recuperar contra o Como. A Juventus, por sua vez, permanece estacionada em 46 pontos, mantendo-se no quarto lugar. Já a próxima rodada da Serie A coloca a Juventus diante do Como em Turim, enquanto o Inter segue até Lecce.
Mais do que três pontos, o triunfo do Inter reacende discussões sobre arbitragem e memória do campeonato. Em um país onde a paixão pelo futebol se mistura com as estruturas institucionais — clubes, federações e veículos de comunicação — episódios como a expulsão de Kalulu não são apenas infrações regulamentares: tornam-se narrativas que moldam percepções e identidades. A atitude de Bastoni, a intervenção de La Penna e as veementes contestações bianconere — vistas por muitos como legítimas, por outros como ultrapassadas — ilustram uma tensão permanente no futebol italiano entre jogada limpa, interpretação e espetáculo.
Para o torcedor que analisa o jogo além do placar, resta observar como as instituições reagirão: haverá revisões, explicações formais, ou o episódio se diluirá na sequência do calendário? A temporada alça contornos decisivos e cada lance passa a valer não apenas na contabilidade dos pontos, mas na construção histórica de clubes e das suas narrativas contemporâneas.
Ficha rápida: Inter 3-2 Juventus (San Siro, 14/02). Gols: autogol Cambiaso 17′ (Inter), Cambiaso 26′ (Juventus), expulsão Kalulu 42′ (Juventus), Esposito 76′ (Inter), Locatelli 83′ (Juventus), Zielinski 90′ (Inter). Árbitro: La Penna. Com a vitória, o Inter soma 61 pontos; a Juventus permanece em 46.
















