À medida que os Jogos de Milano Cortina 2026 se aproximam, um nome ecoa com a força de uma maré que muda a paisagem do esporte: Ilia Malinin. Nascido em 2 de dezembro de 2004, o jovem americano não é apenas um atleta extraordinário; é a síntese da técnica e da ousadia que está redesenhando os limites da patinação artística.
Conhecido mundialmente como Quad God, Malinin tornou-se o primeiro patinador a executar um quad Axel em competição — um feito que soou como um trovão no silêncio polido do gelo. Sua trajetória recente confirma a dimensão dessa revolução: tricampeão mundial em 2024, 2025 e 2026, campeão do Grand Prix Final por três anos consecutivos, e vencedor de múltiplas etapas do Grand Prix e de provas internacionais como o Lombardia Trophy. Em casa, coleciona títulos nacionais que atestam sua consistência.
O que o diferencia não é apenas a quantidade de quádruplos — frequentemente seis ou sete em um único programa — mas a forma como os encaixa em sequências complexas, com combinações arriscadas e um nível de limpeza que faz o público prender a respiração. Sua potência, a altura dos saltos e a velocidade sobre o gelo permitem que adicione elementos técnicos sem perder a continuidade do programa. Quando descrevo Malinin, penso em uma árvore que cresce rápido e reta, impulsionada por raízes sólidas: sua base técnica é a raiz que sustenta a copa dos gestos.
Nos últimos anos, ele também investiu na camada artística do esporte. Trabalhou a coreografia, a expressão e a ligação com a música, transformando programas antes vistos como meros vitrines de salto em narrativas emocionais. Não é mais só uma máquina de saltos; é um artista que sabe dialogar com o público e com os julgadores.
O impacto de Ilia Malinin extrapola o gelo. Seus saltos, os recordes de pontuação total repetidamente batidos e até suas acrobacias — incluindo o backflip sobre o gelo — ajudam a renovar a atenção da mídia e a aproximar novas plateias da patinação artística. Muitos o veem como o sucessor técnico de Yuzuru Hanyu, cuja carreira e estilo serviram-lhe de inspiração, e como representante de uma geração que empurra ininterruptamente os limites do possível.
Em plena idade de vinte anos, Malinin é a promessa e a realização: o futuro que aterrissa com precisão cirúrgica, desafiando as leis da física e as expectativas das gerações anteriores. Para quem acompanha a patinação com sensibilidade, ele é como o vento de fevereiro que anuncia uma primavera precoce — muda o tempo interno do esporte, replantando hábitos e semeando novas referências.
Resta-nos a pergunta mais doce e inquietante: veremos, em Milano Cortina 2026, uma elevação ainda maior desse voo? Seja qual for o resultado, uma certeza permanece: o gelo treme, e o nome Ilia Malinin já ecoará por muitos anos como sinônimo de audácia e perfeição.






















