Por Chiara Lombardi — O Super Bowl já não é apenas um evento esportivo; é um espelho do nosso tempo, um palco onde memória coletiva, identidade e espetáculo se entrelaçam. Nesta edição, o halftime show do Super Bowl LX terá como protagonista o porto-riquenho Bad Bunny, marcado como o primeiro artista latino e de língua espanhola a se apresentar como solista — escolha que, obviamente, trouxe debates e reações diversas.
Enquanto esperamos a performance, reuni sete segredos e curiosidades sobre o halftime show — pequenos bastidores que ajudam a entender por que esse intervalo virou um roteiro oculto da sociedade e um momento decisivo na cultura pop global.
- Origem modesta e evolução cinematográfica: o intervalo do jogo nasceu nas tradições das bandas marciales e dos shows colegiais, mas, a partir do início dos anos 1990, ganhou escala de produção hollywoodiana. A transformação em um espetáculo pop de grande orçamento funcionou como um reframe: do micro para o macro, da arquibancada para os laços globais de audiência.
- A virada de Michael Jackson: foi uma apresentação histórica que mudou as regras do jogo. A performance de 1993 provou que o halftime show podia comandar audiências e gerar um impacto cultural e comercial imediato — um verdadeiro plano-sequência que reposicionou o evento.
- Duração, precisão e logística de astro: o tempo é curto — geralmente entre 12 e 15 minutos — e tudo é meticulosamente coreografado. A montagem de palco, a entrada de instrumentos, mudanças de cenário e dispersão das equipes ocorrem em ritmo de cinema, com ensaios intensos e cronogramas que não perdoam atrasos.
- Técnica e o dilema do ao vivo: por trás do brilho, há escolhas técnicas difíceis. Por razões de transmissão e garantia sonora, muitos elementos costumam recorrer a faixas pré-gravadas e microfones com redundância técnica. Isso gera debates sobre autenticidade, mas também assegura que o show aconteça sem falhas diante de milhões.
- Momentos que viraram ícones: performances como a de Prince na chuva — aclamada pela crítica — ou os personagens virais como o “Left Shark” no show de Katy Perry são episódios que ultrapassam o próprio espetáculo e entram no imaginário coletivo, tornando o intervalo um arquivo cultural.
- Palco de controvérsias e posicionamentos: o halftime show sempre carregou carga simbólica. A escolha de artistas, repertório e linguagens pode provocar reações políticas e sociais. No caso de Bad Bunny, a presença de um solo em espanhol ecoa uma mudança demográfica e cultural — e mexe com sensibilidades tradicionais da plateia.
- Efeito comercial e legado instantâneo: além do prestígio, há o efeito imediato em streams, vendas e presença de marca. Estar no intervalo é um salto na carreira, um corte de cena que reverbera nas paradas musicais como um flash que amplia a visibilidade global do artista.
O halftime show continua sendo um dos pontos de encontro entre entretenimento e discurso público: um espetáculo curto que funciona como um espelho do nosso tempo e um laboratório de símbolos. A apresentação de Bad Bunny no Super Bowl LX não é apenas um momento de música — é um gesto cultural com potencial de alterar leituras sobre língua, representação e consumo audiovisual no cenário global.
Fique atento: nos próximos dias, analisaremos os detalhes da performance, o roteiro visual e os sinais culturais que ela deixará. Porque, no fundo, cada halftime é uma cena que reflete o roteiro oculto da sociedade.






















