Apuração e cruzamento de fontes indicam que a hipótese de novos tarifas dos Estados Unidos contra países europeus que apoiam a Groenlândia abriu um frente de alto risco para o setor automobilístico europeu. A associação alemã da indústria automotiva, a VDA (Verband der Automobilindustrie), emitiu um alerta técnico sobre os efeitos diretos que medidas desse tipo teriam sobre custos, produção e competitividade.
O mercado norte-americano é estratégico para os grandes grupos da Alemanha. Marcas como Volkswagen, BMW e Mercedes-Benz exportam centenas de milhares de veículos anualmente para os EUA e obtêm ali uma parcela relevante de suas receitas. A introdução de uma tarifa da ordem de 10%, com a ameaça de escalada até 25%, reduziria imediatamente a competitividade dos carros europeus frente a modelos produzidos localmente ou originários de países não submetidos às mesmas taxas.
Fontes da VDA enfatizam que o impacto não se restringe às unidades acabadas. As tarifas atingiriam também componentes e semielaborados, desencadeando efeitos em cadeia sobre fornecedores, serviços de logística e instalações produtivas. Num momento em que a indústria já enfrenta a pressão da transição para veículos elétricos e a alta dos custos energéticos, um encargo tarifário adicional pode comprimir margens operacionais e retardar investimentos em inovação e capacidade produtiva.
A natureza integrada da indústria automotiva europeia amplia os riscos. Muitas das peças incorporadas em automóveis exportados da Alemanha são fabricadas em outros Estados-membros. Assim, uma queda nas vendas nos Estados Unidos teria repercussões imediatas em volumes de produção na França, na Itália, nos países do Leste Europeu e nos países nórdicos, afetando emprego e cadeia de fornecimento em todo o bloco.
A VDA advoga que uma resposta fragmentada por parte dos Estados europeus seria ineficaz. O documento técnico e as declarações oficiais sugerem a necessidade de uma estratégia comum da União Europeia, capaz de proteger um setor que é pilar econômico em termos de emprego, inovação e exportações. Entre as opções citadas figura o Instrumento anti-coerção mencionado pelo presidente francês, Emmanuel Macron, como ferramenta para reagir a medidas extraterritoriais que prejudiquem interesses industriais europeus.
O diagnóstico apresentado pela associação alemã é claro: a preservação da competitividade da indústria automotiva continental depende de coordenação política e de mecanismos de defesa comercial proporcionais e calibrados. A realidade traduzida pelos números e pela estrutura produtiva exige respostas técnicas e diplomáticas, não improvisações. A apuração segue acompanhando declarações institucionais e movimentações do setor.





















