A convocação oficial da equipe italiana de esqui alpino para Milano Cortina trouxe um dado histórico e de impacto social: Giada D’Antonio, nascida em 2009, é a primeira napolitana — e a primeira atleta da região da Campânia — a disputar os Jogos Olímpicos nesta modalidade. Aos 16 anos, é também a atleta mais jovem do contingente completo da Itália.
Tossida ao registro do Sci Club Vesuvio, Giada construiu sua trajetória longe dos grandes pólos do esqui alpino. Foi nas pistas de Roccaraso, nos Apeninos abruzzeses, que ela se apaixonou pelo esporte, seguindo a paixão do pai, Fabio, dentista de Nápoles. Durante anos, deslocamentos de doze horas em carro ou micro-ônibus foram rotina para disputar competições e treinos — um dado que explica o ritmo acelerado de maturação técnica que a atleta vem apresentando.
O talento começou a sobressair com nitidez em novembro, quando Giada venceu dois slaloms FIS na Suíça. O resultado forçou uma revisão da rota técnica: a federação a colocou na nacional C, abrindo um percurso competitivo acelerado e fora do padrão para alguém de sua idade e origem.
O passo seguinte foi o batismo na Copa do Mundo, no slalom de Semmering, no fim de dezembro. Enfrentando condições adversas, uma saída na primeira manche testemunhou mais um degrau de aprendizado do que um retrocesso. O sinal mais promissor veio em Špindlerův Mlýn, onde Giada perdeu por apenas um centésimo a classificação para a segunda manche, superando competidoras com muito mais quilometragem internacional — um detalhe que pesou decisivamente na avaliação técnica da comissão.
Nascida em San Sebastiano al Vesuvio, Giada traz uma origem familiar que cruza Nápoles e a América do Sul: por parte de mãe, há ascendência colombiana e equatoriana. Seu nome figura entre as 11 atletas convocadas para Milano Cortina, ao lado de campeãs como Sofia Goggia e Federica Brignone — uma constelação que torna seu ingresso ainda mais notável.
Antonio Barulli, presidente do Comitato campano da Federazione Sport Invernali, sintetizou o significado do feito: “Graças à nossa Giada o esqui campano tem uma olímpica. Hoje escrevemos uma página de história”. Na mesma linha, Stefano Romano, presidente do Sci Club Vesuvio, declarou: “É uma emoção fortíssima. A estreia em Copa do Mundo em 28 de dezembro foi o coroamento de um trabalho de muitos anos. As qualidades principais de Giada são a humildade e a normalidade, valores que sempre guiaram nosso percurso”.
No circuito ela é conhecida como Black Panther, alcunha nascida de um jogo entre as companheiras do clube e que acabou virando marca de personalidade: “Me representa pelo jeito que sou”, disse Giada, lembrando a referência ao filme com Chadwick Boseman. Fora das pistas, declara gosto pela salsa e pelo rap americano — músicas que usam para se concentrar antes das provas — e admira nomes do passado e do presente, como Alberto Tomba, Lindsey Vonn e Mikaela Shiffrin.
O percurso de Giada D’Antonio é, na métrica do jornalismo técnico, um caso de aceleração de carreira: emergência de resultados em circuito FIS, transição para seleções nacionais e estreia em Copa do Mundo em questão de meses. Rigorosa na apuração, o quadro aponta para dois vetores claros: potencial esportivo e logística excepcionalmente sacrificada — fatores que tornam sua presença em Milano Cortina (2026) um indicador relevante sobre a democratização geográfica do esqui alpino na Itália.
Em outono, Giada enfrentou uma mudança decisiva no calendário de preparação, entrando num ciclo intensivo de treinos e competições que consolidou sua candidatura olímpica. A confirmação da convocação encerra um capítulo prático e abre outro, mais visível: a jovem atleta de San Sebastiano al Vesuvio será acompanhada como referência por uma região inteira que até agora via o esporte por uma lente periférica.






















