Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Num clássico que teve de tudo — gols, viradas e motivos para debate — o Inter arrancou uma vitória dramática sobre a Juventus por 3 a 2, com o decisivo de Zielinski já aos 90 minutos. O triunfo em San Siro recoloca a equipe nerazzurra com vantagem sobre o Milan, agora oito pontos à frente na tabela, e acentua a leitura do campeonato como um território político além das quatro linhas.
Do ponto de vista emocional e simbólico, o gol de Zielinski não foi apenas um resultado: foi a reafirmação de uma identidade coletiva que o Inter tenta consolidar desde a reestruturação do elenco. Para a torcida, a explosão no estádio traduziu mais do que três pontos — traduziu uma narrativa de resistência que atravessa temporadas e gera expectativas.
No balanço individual, as notas refletem nuances do jogo. Zielinski recebeu um 7 por sua leitura da partida e pelo instinto decisivo. Já Bastoni ficou com nota 4: não por incapacidade técnica, mas por episódios interpretados como pouco condizentes com o papel de liderança que se espera de um atleta desse calibre; atitudes que, em um clássico, ganham força simbólica e alimentam a contestação pública.
Dimarco foi outro nome que chamou atenção: demonstrou uma capacidade física invejável, descrita na crônica como quase de apneísta, cobrindo espaços e oferecendo opções tanto no apoio quanto na recomposição defensiva. Do lado juventino, Locatelli mereceu menção comparativa a Pirlo — não por replicar a lenda, mas por assumir o papel de articulador, tentando impor ritmo e verticalidade a uma equipe que, em momentos, pareceu carregar um peso anímico incomum (a imagem do jogador descrito como “pesado na luta pelo scudetto como um filme finlandês” sublinha essa sensação).
O árbitro, identificado na crônica com nota 5 (David), saiu sem grandes erros flagrantes, mas com decisões que alimentaram a discussão: em partidas desta dimensão, a interpretação torna-se parte do espetáculo e influencia percepções que vão além do estritamente técnico. A contestação a Bastoni e alguns lances divididos serviram para lembrar que o futebol moderno é, igualmente, teatro de legitimidade.
Ao final, a vitória por 3 a 2 reafirma duas verdades complementares: o Inter conserva ambição e nervo de campeão, enquanto a Juventus precisa repensar equilíbrio emocional e leituras táticas em jogos de alta pressão. Mais do que três pontos, San Siro viveu uma sessão de confirmação de identidades — para torcedores, clubes e instituições — e deixou no ar perguntas sobre como cada agente do jogo quer ser lembrado.
Num campeonato em que a memória coletiva e o capital simbólico contam tanto quanto a tabela, o triunfo nerazzurro é ao mesmo tempo resultado e narrativa. Em breve, será tempo de traduzir esta noite em consistência.





















