O Torino Football Club anunciou, em nota oficial, o afastamento de Marco Baroni do comando da equipe principal. A decisão, comunicada no dia 22 de fevereiro de 2026, sucede a derrota por 3 a 0 contra o Genoa em Marassi e consolida um ciclo de resultados que colocou os granata em situação de alerta na Serie A.
Baroni deixa o clube após 26 rodadas do campeonato, com o Torino na 15ª colocação e somando 27 pontos — apenas três pontos acima da zona de rebaixamento. A defesa do time é a pior da liga, com 47 gols sofridos. O retrospecto recente acentua a crise: uma vitória nas últimas sete partidas entre Campeonato e Copa Itália, com reveses expressivos como o 6-0 contra o Como e a eliminação nas quartas de final diante da Inter.
Para enfrentar a emergência, o presidente Urbano Cairo optou pela troca de comando técnico e trouxe Roberto D’Aversa, com contrato válido até 30 de junho de 2026. O treinador abruzzese, conhecido por passagens por clubes como o Empoli, assume com a missão explícita de conquistar a salvezza. D’Aversa já programou seu primeiro treino no centro esportivo Filadelfia para a tarde de terça-feira, 24 de fevereiro, e fará sua estreia no banco no próximo domingo, contra a Lazio.
Do ponto de vista institucional, a troca de técnico do Torino ilustra uma tensão recorrente no futebol italiano: a expectativa de resultados imediatos diante de um projeto que, por vezes, não recebeu tempo ou investimento coerente para sua maturação. O clube iniciou a temporada com pretensões mais altas, mas fatores como fragilidade defensiva, instabilidade emocional do vestiário e decisões de mercado insuficientes acabaram por estreitar o espaço de manobra da direção.
Como analista, vejo na chegada de D’Aversa um sinal de pragmatismo. Seu perfil tático privilegia organização e disciplina defensiva — características que o Torino claramente precisa —, porém a efetividade dependerá de três variáveis: foco na recuperação física e mental do elenco, ajustes rápidos em setores-chave (especialmente na proteção à zaga) e uma direção que permita intervenções no mercado, se necessário, na janela seguinte.
O desafio imediato é severo: medir forças com a Lazio já no próximo fim de semana não permite longos períodos de implantação de ideias. É uma convocação à urgência, mas também uma oportunidade para reconstituir identidade coletiva. O que está em jogo não é apenas a permanência na Serie A, mas a credibilidade de um projeto esportivo que busca se alinhar com a história e a tradição do clube em Turim.
Nos próximos dias, acompanhar-se-á a adaptação de D’Aversa ao ambiente do Filadelfia, as mensagens internas para os jogadores e a resposta da torcida — que, em Turim, tem memória longa e expectativas conservadoras. A salvação é um objetivo concreto, e será medida em pontos e em reconstrução moral.






















