Na noite de terça-feira, 13 de janeiro, o Stadio Olimpico será o palco de um confronto clássico do futebol italiano: Roma x Torino, válido pelas oitavas de final da Coppa Italia. O apito inicial às 21h dará início a uma partida em que o valor simbólico e estratégico ultrapassa o resultado imediato — quem vence avança para enfrentar a Inter nos quartos de final.
Em termos de forma, a Roma busca confirmar o ressurgimento: depois de um começo de 2026 irregular no Campeonato Italiano, os giallorossi venceram nas últimas duas rodadas, em Lecce e diante do Sassuolo, e entram em campo determinados a transformar essa retomada em progresso também na taça. O Torino, por sua vez, chega pressionado pelas recentes derrotas no campeonato e procura na Coppa Italia um terreno de recuperação.
Historicamente, o confronto sorri aos romanos: nas últimas 20 partidas em Coppa, a Roma somou 12 vitórias contra o Toro, com a mais recente vitória no Olímpico remontando a 2023, quando o placar terminou 2 a 0 para os anfitriões. Ainda assim, números no papel são apenas um mapa: no tabuleiro real, cada partida redesenha linhas de influência e possibilidades.
Para a Roma é a estreia nesta edição da competição, enquanto o Torino já eliminou Modena e Pisa nos dois turnos anteriores, adquirindo ritmo de mata-mata. A regra desta fase é direta: empate no tempo regulamentar leva a decisão por pênaltis — não há prorrogação.
À beira do campo, o técnico Gian Piero Gasperini enfatizou a importância gradual da competição: “É uma competição muito importante, sobretudo à medida que se avança; no final costumam estar as melhores equipes. Todos nos dedicamos. E haveremos de disputar a final também em casa.” O tom é de quem conhece a arquitetura do torneio e os custos de cada movimento. Gasperini lembrou ainda sua própria busca por redenção em finais: já chegou três vezes à decisão com a Atalanta sem êxito — um motivo extra para encarar o Torino com atenção redobrada.
Na dimensão clínica e tática, a Roma convive com ausências relevantes. Dovbyk e Ferguson estão fora por lesão — Ferguson lesionou-se no último sábado diante do Sassuolo — e Paulo Dybala deverá atuar como centroavante. Soulé pode receber minutos extras, já que Baldanzi ainda se recupera de uma forte gripe e Pellegrini segue em tratamento por lesão. Wesley tenta se recuperar de um desconforto sazonal, e Ndicka, que retornou da Copa das Nações Africanas, deve retomar a titularidade no fim de semana; Cristante, que cumpriu suspensão no último compromisso do Campeonato, ganha vaga de início, permitindo descanso a Koné. Mancini permanece fora por suspensão.
No Torino, há possibilidade do retorno de Israel à meta, alternando com Paleari. No setor ofensivo, a opção por um duo Adams–Simeone é provável, apesar da ambição de Zapata de manter-se entre os titulares. Casadei reaparece como opção após cumprir suspensão no torneio doméstico; Pedersen segue fora, e Tameze pode reassumir função no miolo defensivo.
Formação anunciada da Roma (esquema 3-4-2-1): Svilar; Ghilardi, Ziolkowski, Hermoso; Rensch, Pisilli, Cristante, Tsimikas; Soulé, El Shaarawy; Dybala. Treinador: Gasperini.
Do lado do Torino, a disposição tática deverá ser um 3-5-2 flexível, com eventuais ajustes no ataque conforme as condições físicas e escolhas do treinador.
A vencedora deste duelo terá a missão de encarar a Inter nos quartas, num tabuleiro em que cada vitória reconfigura trajetórias e ambições. Para as duas equipes, a Coppa Italia representa tanto uma rota objetiva para um troféu quanto uma oportunidade de restabelecer momentum em competições paralelas.
Na perspectiva estratégica que guiamos na La Via Italia, este tipo de confronto é um pequeno xadrez: não basta a peça mais forte em campo; é necessário o movimento que desconstrua a arquitetura do adversário e permita avanço sustentável. Amanhã, no Olimpico, veremos quem executa melhor essa partitura.



















