Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Um empate que diz tanto sobre a temporada quanto sobre escolhas táticas: Napoli e Roma fecharam em 2-2 um confronto em que os giallorossi chegaram a abrir vantagem por duas vezes, mas foram neutralizados primeiro por um gol de Spinazzola e, já no fim, por um jovem brasileiro que desembarcou em janeiro — Alisson —, decisivo ao entrar em campo.
O placar traduz uma leitura dupla: para a equipe de Conte é uma meia‑vitória — a capacidade de reagir e resgatar pontos em momentos complicados —; para a Roma é uma meia‑derrota, tendo em vista a oportunidade perdida de se firmar na briga pela Champions. Mais do que os números, o que fica é a impressão de uma partida carregada de simbolismo sobre gestão de elenco, escolhas de mercado e o peso das substituições em jogos decisivos.
Do lado romano, quem mais se destacou foi Malen. O atacante neerlandês mostrou-se intratável: cinco gols em cinco partidas e, em Nápoles, marcou duas vezes que colocaram a sua equipe à frente em ambas as ocasiões. O primeiro, nascido de uma jogada rápida e de precisão, teve participação direta de Zaragoza, menos preso ao toque do que ao passe vertical que desorganizou a defesa adversária. A estratégia da Roma era clara — pressão alta, recuperação imediata e lançamento veloz para o seu homem de frente — e, na maior parte do primeiro tempo, surtia efeito.
O Napoli, por sua vez, que parecia surpreso com o ritmo imposto pelos visitantes, encontrou algum consolo a partir dos 35 minutos do primeiro tempo, quando elevou sua linha defensiva em cerca de quinze metros e conseguiu igualar o jogo com um desvio que envolveu Spinazzola e Pisilli. Foi um momento que revelou também a resiliência de um elenco que, em outros capítulos da temporada, tem sofrido com pressão e inconsistência.
A segunda metade manteve a toada tática: a Roma dominou o ímpeto e continuou a ensaiar transições rápidas, enquanto o Napoli procurava as soluções nas bolas diretas para Hojlund e nas segundas jogadas através de Politano e Vergara. Os duelos com Ndicka viraram pequenas peças dentro do mosaico maior da partida — lances que contam mais do que a estatística isolada.
O ponto de inflexão veio com a substituição de Malen logo após o pênalti que resultou no 1-2. A decisão, sobre a qual paira a dúvida — foi realmente inevitável? — parece ter applanado o ímpeto da equipe de Gasperini, cuja leitura de jogo estava afinada até então. No entanto, o futebol é palco tanto de planejamento quanto de improviso: entrou Alisson, que ao estrear no estádio Diego Maradona foi além da expectativa e arrancou o empate nos minutos finais, devolvendo ao Napoli a vaga que quer proteger na tabela.
Mais do que um resultado, o 2-2 deixa questões abertas: a eficácia do mercado de janeiro — que, para o Napoli, provou ser assertivo pelo menos em um episódio —; a gestão da emoção e da fadiga competitiva por parte da Roma; e a leitura, por parte dos técnicos, de quando segurar ou agitar um time que corre na corda bamba entre esperança e frustração.
Em termos práticos, a igualdade altera os rumos da briga por vagas europeias e confirma que, na Serie A atual, nenhum ponto pode ser dado como perdido — nem ganho. Para o observador histórico e social, jogos assim relembram que estádios permanecem como lugares onde se negociam expectativas coletivas, memórias e identidades; e que um ingresso no mercado de inverno pode, por vezes, reescrever um capítulo da temporada.






















