Uma vitória que vale mais do que três pontos: o Lecce confirmou seu espírito de sobrevivência e venceu a Udinese por 2-1, com gol decisivo de Lameck Banda aos 90 minutos, cobrando falta com precisão rara para um desfecho tão dramático. O triunfo, obtido no Via del Mare, devolve ar de esperança ao clube salentino na luta pela salvezza e complica ainda mais a situação da Fiorentina, agora distante três pontos.
O jogo, longe de ser técnico ou vistoso, foi marcado por erros e por momentos de resistência emocional. A partida começou com o Lecce mais incisivo: após chance de cabeça de Cheddira, a equipe da casa chegou ao gol explorando um lapso defensivo — um conjunto de falhas entre Solet e Karlström permitiu a recuperação do rebote por Gandelman, que finalizou com frieza para abrir o placar.
O domínio inicial dos locais não se converteu em controle pleno. Aos 24 minutos, um atraso de Gaspar no acompanhamento de Zemura originou pênalti para a Udinese. Na cobrança, Solet deslocou Falcon e equilibrou o confronto. Depois disso, o ritmo caiu: muitos erros técnicos e pouca criatividade renderam um segundo tempo de intensidade limitada.
Na etapa final, o Lecce voltou a insistir na iniciativa. Aos 61 minutos, Veiga testou Okoye que, no reflexo, salvou a bola sobre a trave. A resposta da Udinese foi tímida e o treinador Runjaic buscou sacudir a equipe com as entradas de Gueye e de Zaniolo — este último, que começou no banco por opção técnica, após rumores de divergências rapidamente negados pelo próprio técnico.
A leitura tática do jogo pelo técnico Di Francesco chamou atenção quando, aos 77 minutos, substituiu Cheddira por Stulic, abrindo mão da dupla de ataque. A mudança gerou reação da torcida, que vaiou e cobrou mais ousadia. A resposta veio nos minutos finais: Gandelman pegou na trave aos 87 e, logo depois, sofreu a falta que originou a cobrança decisiva.
Aos 90 minutos, Lameck Banda, recém-entrado, desenhou com o pé direito uma trajetória perfeita e colocou a bola no ângulo — explosão de alegria no Via del Mare, seguida por uma reação austera do treinador Di Francesco, que voltou-se para a tribuna após críticas durante o jogo.
Mais do que o resultado, o que interessa ao observador é o que a vitória representa para a cidade e para a estrutura do clube: três pontos que reforçam a persistência de um projeto que, em momentos de crise, encontra na comunidade local sua principal resistência. O Lecce sobe para 21 pontos e mantém-se no quartúltimo posto; a Udinese, que vinha de duas vitórias, permanece com 32.
Em campo, sobraram falhas; fora dele, sobrou significado. O futebol segue sendo, para o sul da Itália, um espelho de tensões e esperanças. Hoje, o reflexo foi este: um punhado de coragem, um chute colocado e um estádio que respirou alívio.






















