Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Em um encontro técnico promovido pela Adnkronos no Palazzo dell’Informazione, a equipe contratada pela S.S. Lazio apresentou o plano detalhado para a reconstrução do Flaminio e definiu, com clareza técnica e estratégica, o objetivo central do projeto: disputar o campeonato de futebol de 2031-32 dentro do novo estádio Flaminio.
A visão, segundo os profissionais envolvidos, combina estabilidade financeira, continuidade administrativa e respeito à memória arquitetônica — sobretudo ao legado da família Nervi — em um percurso que vem sendo desenhado ao longo de anos e acelerado entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2026. Nesse período, conforme explicou Emanuele Floridi, diretor de comunicação da S.S. Lazio, foi realizado “um trabalho incrível” que permitiu avançar do conceito à fase executiva.
O time técnico contou com figuras centrais: o engenheiro Alessandro Lanzetta, à frente do grupo de projeto; Sergio Scibetta, responsável por finanças e controle, que afirmou ser a iniciativa “100% newco” e garantiu que o estádio será da Lazio; o advogado Andrea Ciccioriccio (estúdio Fiori); o arquiteto Marco Casamonti, fundador da Archea Associati; e acadêmicos como Domenico D’Olimpio (La Sapienza) e Gabriele Battista (Università Roma Tre). Também participaram especialistas em imagem e relações institucionais, consolidando um conjunto técnico multidisciplinar.
No plano temporal, o engenheiro Lanzetta apresentou o cronograma esperado: início das obras no primeiro semestre de 2027 e conclusão no primeiro semestre de 2031, com a meta explícita de ter o equipamento operacional para a temporada 2031-32. Esse calendário não é apenas ambição de calendário esportivo; é condição necessária para que o estádio seja considerado entre os sítios possíveis a receber os Europeus de 2032, coorganizados por Itália e Turquia.
Sobre a candidatura aos Euro 2032, o grupo já protocolou documentação junto à FIGC. A proposta foi oficialmente registrada, mas a participação na lista final de estádios depende do cumprimento de requisitos técnicos e de prazos que estão vinculados, de maneira decisiva, ao momento em que será formalmente autorizado o início das obras. Em palavras sucintas do time: o desafio não é apenas projetual; é também institucional e temporal.
Além dos prazos, o discurso do fórum enfatizou dois pontos que transcendem a engenharia: a propriedade do projeto e o vínculo com a cidade. Scibetta reiterou que a operação será conduzida por uma “newco” integralmente controlada para que o Flaminio permaneça associado à identidade da Lazio. E Casamonti e os demais arquitetos frisaram a necessidade de dialogar com o legado de Nervi, preservando valores estéticos e memória urbana ao reinterpretar um equipamento que é parte do tecido histórico de Roma.
Como analista, é preciso sublinhar o caráter simbólico dessa ambição. O Flaminio não é apenas mais um estádio: é um palimpsesto arquitetônico que convoca debates sobre patrimônio, modernidade e função pública no espaço urbano. A proposta da Lazio — se bem sucedida — será um caso de estudo sobre como um clube pode assumir papel central na regeneração territorial, mantendo controle acionário e programando um calendário que converse com eventos internacionais.
Resta agora o calendário administrativo: autorizações, licenças, definição de financiamento e, sobretudo, o permissão para ligar a chave das obras. Se os prazos forem respeitados, o projeto pode, de fato, transformar a ambição de disputar a temporada 2031-32 no Flaminio em uma realidade concreta, com implicações que ultrapassam o campo e tocam a identidade urbana de Roma.






















