Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
O ataque da Inter sofreu um baque físico e simbólico na viagem a Bodo: no duelo de ida dos playoffs da Champions League o capitão Lautaro Martinez deixou o campo aos 61 minutos queixando‑se da panturrilha. Nesta sexta‑feira, 20 de fevereiro, o argentino realizou exames clínicos e instrumentais no Instituto Humanitas de Rozzano para avaliar a extensão do problema.
O resultado, confirmado pela nota oficial do clube, apontou um ressentimento muscular no sóleo da perna esquerda. A situação será reavaliada na próxima semana, mas a primeira estimativa da comissão técnica e da área médica indica um período de afastamento que pode ser da ordem de um mês.
Na prática, a ausência de Lautaro Martinez tende a deixá‑lo fora de jogos decididos no curto prazo: a partida do Campeonato contra o Lecce, o jogo de volta dos playoffs contra o Bodo/Glimt (quando a Inter precisa reverter um prejuízo de dois gols), o confronto de Série A com o Genoa e a ida da semifinal da Coppa Italia diante do Como. A comissão técnica também vê como improvável a presença do atacante no dérbi contra o Milan marcado para 8 de março, partida que tem peso simbólico e prático na disputa pelo scudetto. A disputa contra o Atalanta também parece de difícil previsão; a esperança de Chivu é tê‑lo ao menos no banco contra a Fiorentina, em 22 de março, ou já recuperado para a partida contra a Roma em 4 de abril.
O lance ocorreu no segundo tempo em Bodo: após uma ação ofensiva Lautaro se tocou a perna denunciando o desconforto no músculo da panturrilha, e o técnico Chivu optou pela cautela — Thuram entrou em seu lugar para evitar agravar a lesão. O atacante voltou ao banco visivelmente contrariado, conversou com a equipe médica e seguiu para os vestiários para o primeiro tratamento.
Do ponto de vista esportivo e institucional, a situação tem desdobramentos que ultrapassam o rendimento individual. A ausência do centroavante coloca pressão sobre o processo de rotação do elenco, obriga a reconfiguração tática e coloca em evidência a necessidade de profundidade no plantel — questões que, em clubes da envergadura da Inter, reverberam no mercado e na leitura pública do projeto esportivo. Para os torcedores, o vácuo deixado por Lautaro Martinez não é apenas técnico: é também afetivo, uma vez que a trajetória do jogador se confunde com expectativas coletivas sobre identidade e ambição do clube.
Nas próximas semanas, a avaliação clínica será determinante para converter a previsão inicial em um prognóstico definitivo. Enquanto isso, a equipe médica e a comissão técnica administram o processo com cautela, consciente de que a pressa em recuperar um jogador das condições musculares mencionadas pode gerar recidivas — um risco que, historicamente, meus estudos sobre lesões no futebol italiano mostraram ser tão determinante quanto qualquer resultado em campo.
Atualização: a Inter informou que a situação será reavaliada na próxima semana; até então, a prudência norteia a tomada de decisões.





















