Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Em um espetáculo que valeu mais do que três pontos, o Inter confirmou no Via del Mare uma vitória de consistência e identidade: 2 a 0 sobre o Lecce, com gols na segunda etapa de Mkhitaryan e Akanji. O resultado não só renovou a confiança coletiva da equipe de Milão como também ampliou momentaneamente a vantagem na tabela, levando os nerazzurri a ficar, provisoriamente, a +10 do Milan, que joga amanhã contra o Parma.
Foi uma partida que expôs as qualidades táticas de uma Inter que soube administrar posse, recuar e apertar nos momentos certos. A leitura do jogo — tanto defensiva quanto de transição — apareceu com clareza nos pés de Dimarco, figura recorrente no desenho ofensivo da equipe: duas assistências e uma atuação avaliada como fundamental para a fluidez dos milaneses.
Como se definiu o jogo
O primeiro tempo caminhou com equilíbrio. O Lecce mostrou combatividade e tentou explorar as costas da defesa nerazzurra, enquanto o Inter trabalhou pacientemente para encontrar superioridade pelos flancos. No segundo tempo, com ajustes de posicionamento e maior intensidade nas linhas médias, os visitantes conseguiram romper a resistência local.
O primeiro gol, fruto de leitura e execução no penúltimo passe, coube a Mkhitaryan, que teve o timing correto para aproveitar a assistência e abrir o placar. Mais tarde, já com a defesa de Lecce mais exposta, Akanji apareceu em posição ofensiva para confirmar a vantagem, sacrificando o discurso dos salentinos e consolidando a vitória.
Desempenhos individuais
- Dimarco — 7,5: Duas assistências e participação ativa nas transições. A capacidade de conectar defesa e ataque foi decisiva.
- Diouf (Lecce) — 6,5: Entrou com impacto, oferecendo alternativas de profundidade e intensidade, mesmo em um jogo controlado pelo adversário.
- Mkhitaryan — gol e presença no último terço; leitura e técnica nos momentos-chave.
- Akanji — gol que sela a vitória e demonstra capacidade de infiltração em jogadas de bola parada e sequência.
Do ponto de vista coletivo, a vitória traduz a solidez de um projeto que busca consistência na Serie A. Não se tratou de um triunfo brilhante, de expressão técnica avassaladora, mas sim de uma demonstração pragmática: controlar o ritmo, explorar as virtudes individuais dentro de um sistema e administrar o resultado até o apito final.
Implicações na tabela e olhar estratégico
Com o resultado, o Inter respira mais aliviado na disputa pelo scudetto, ganhando um colchão momentâneo frente ao rival local. A leitura política e simbólica desse tipo de vitória é relevante: consolidar vantagem nesta fase do campeonato significa reduzir a volatilidade da corrida e forçar o adversário a respostas táticas que podem desgastar fisicamente a temporada.
Para o Lecce, resta a análise fria: oportunidades perdidas, pontos de atenção na proteção central da defesa e a necessidade de encontrar maior consistência ofensiva para partidas contra times de maior controle posicional.
Concluo destacando que, além do resultado, o jogo no Via del Mare funciona como mais um recorte da temporada: times que entendem sua própria fisionomia e a executam com disciplina tendem a ter vantagem em torneios longos. O Inter, ao menos hoje, mostrou isso.
Ficha técnica: Inter 2-0 Lecce — Gols: Mkhitaryan, Akanji. Local: Via del Mare. Data: 21/02/2026.






















