Bodo Glimt 3 x 1 Inter — No frio cortante da Noruega, a primeira mão do playoff da Champions League terminou com um resultado que impõe reflexão estratégica e identitária ao clube de Milão. Em um jogo em que a equipe treinada por Chivu parecia buscar soluções improvisadas, os noruegueses aproveitaram vulnerabilidades e construíram um triunfo que torna a volta em San Siro, na próxima semana, uma tarefa árdua.
O encontro, disputado em 18 de fevereiro de 2026, marcou a soma de erros e escolhas táticas que pesaram sobre o resultado. No primeiro tempo, o empate em 1 a 1 — com gol de Pio Esposito — manteve a ilusão nerazzurra. Porém, a segunda etapa revelou uma equipe desorganizada: minutos após um chute de Lautaro no travessão, o Bodo Glimt aproveitaria duas falhas defensivas para em sequência marcar duas vezes com Hauge, o ex-Milan que se tornou personagem principal da noite.
Do ponto de vista tático, a opção por colocar Nicolò Barella em função de regista deixou claras limitações. Barella é um jogador de entrega e ritmo, mas não substitui a clareza criativa de um verdadeiro articulador como Çalhanoğlu ou Zieliński. A transição ofensiva do Inter ficou previsível; faltou uma referência que organice jogadas e segure o tempo do confronto diante de um adversário que soube pressionar e explorar o jogo direto.
Chivu, ainda em fase de afirmação como treinador, enfrentou aqui um espelho das tensões institucionais e esportivas que atravessam o futebol italiano: como equilibrar tradição tática com a necessidade de dinamismo moderno? O jogo na Noruega foi menos sobre individualidades e mais sobre um modelo coletivo que não se consolidou. A eficácia do Bodo Glimt revelou uma leitura de jogo madura, aproveitando espaços e intensidade, sobretudo quando a partida se abriu após o intervalo.
Para o Inter, a lição é dupla e clara: recuperar a presença criativa no meio-campo e reequilibrar a equipe defensivamente, evitando que momentos de desatenção determinem rumos decisivos. A remontada ainda é possível — jogar em San Siro dará ao clube vantagem de ambiente e pressão —, mas será preciso coragem tática e precisão na execução. Exigir que Barella assuma funções que não são sua essência pode custar caro num torneio onde margem de erro é curta.
Mais do que um revés esportivo, esta derrota é um ponto de reflexão sobre identidade e escolhas estruturais. O Inter, historicamente clube de cultura tática densa, encontra-se em momento de transição: o resultado na Noruega chama por decisões que vão além do ajuste de escalações, pedindo uma leitura que reponha protagonismo criativo e coerência coletiva.
Relato, avaliação e perspectivas para a volta em Milão ficam como dever de casa: o Inter precisa transformar a urgência em projeto e a atmosfera de San Siro em combustível para uma recuperação que, sem romantismo, será exigente.
Otávio Marchesini
Repórter de Esportes — Espresso Italia





















