Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Em uma partida que confirmou a primazia da experiência sobre a ousadia da estreia, a Germani Brescia venceu a recém-promovida Udine e assegurou seu lugar na semifinal da Coppa Italia. Num jogo em que a diferença não se fez por espetáculo, mas por solidez tática e profundidade de elenco, a equipe bresciana controlou os fatos principais e ditou o ritmo quando necessário.
Chegada a Turim com o ressentimento da derrota no estouro do cronômetro em Varese, a Germani Brescia mostrou cabeça fria — a velha virtude que separa candidatos de surpresas. O primeiro quarto já havia dado indícios: liderada por um bom começo de Della Valle e por uma presença física consistente de Ndour, Brescia fechou os dez minutos iniciais em vantagem, 23-11, apesar de falhas de ambos os lados.
O retorno ao jogo trouxe a habitual reação de quem não se entrega: Udine encostou com um parcial organizado, explorando buracos momentâneos na construção ofensiva bresciana. No entanto, a persistência de Ndour e as iniciativas de Massinburg impediram que a partida virasse. Importante salientar: o rendimento de tiro de três de Udine esteve muito abaixo do necessário para competir num basquete atual fortemente dependente do perímetro.
O contexto sofrido de Udine ficou ainda mais evidente pelas ausências e limitações físicas: a equipe do Friuli jogou sem Ivanovic e com Massinburg atuando com um dedo luxado, improvisado no papel de armador. Ainda assim, o adversário tentou resistir — com destaque a Calzavara, recente convocado à seleção — mas encontrou uma defesa bresciana preparada e um banco capaz de contribuir.
Foi exatamente o banco que desequilibrou a balança. Após uma abertura inicial em que Burnell começou no banco, sua entrada foi determinante. Com presença física no ataque e trabalho nos rebotes, Burnell forneceu à equipe aquilo que faltou no momento crítico em Varese: consistência e alternativas ofensivas. Ao lado dele, Rivers e Cournooh deram sustento nas rotações, permitindo à comissão técnica manter o nível sem que o rendimento caísse.
No terceiro período, Della Valle voltou a gravar seu nome na fita: uma triplona que estabeleceu o máximo de +19 para Brescia confirmou a superioridade territorial. A partir daí, o controle foi gerido com prudência e frieza, sem excesso de risco. Udine tentou reagir no último quarto, encostando até -8 graças a um ímpeto final, mas a distância emocional e acumulada dos minutos anteriores impediu a virada.
Mais do que um resultado, o triunfo da Germani Brescia é uma leitura sobre estruturas: clubes com histórico, elenco profundo e capacidade de gestão de crise tendem a prosperar em competições de mata-mata. A passagem para a semifinal da Coppa Italia não apenas valida a qualidade bresciana, mas também realça a fragilidade estrutural que limita as surpresas das promessas ascendentes.
Agora, ainda em Turim, Brescia se prepara para o próximo compromisso no sábado — uma continuidade que testará resistência física e planejamento estratégico, elementos centrais para quem pretende transformar um bom momento em legado.
Assinatura: Otávio Marchesini — repórter e analista esportivo da Espresso Italia






















