Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — Em um duelo que, mais que três pontos, valia alívio psicológico, o Genoa venceu o Torino por 3 a 0 na 26ª rodada da Serie A. Sob o comando de Daniele De Rossi, os rossoblù impuseram ritmo e pragmatismo: marcaram com Norton-Cuffy, Caleb Ekuban e Junior Messias, e retomaram fôlego na briga pela salvezza.
O confronto começou com fase de estudo, mas aos poucos a iniciativa ficou com os anfitriões. Aos 22 minutos, após finalização de Ekuban e defesa incompleta de Paleari, Norton-Cuffy aproveitou o rebote e abriu o placar — gol que traduzia a superioridade territorial e a leitura coletiva do time genovês.
O Torino tentou reagir e, aos 35 minutos, obrigou o goleiro Bijlow a intervir em um chute de longa distância de Obrador. Mas a ofensiva granata perdeu fôlego. No minuto 40, em nova falha na recomposição defensiva, Caleb Ekuban aproveitou uma defesa parcial de Paleari após investida de Baldanzi e ampliou. A jogada expôs fragilidades do Torino na transição defesa-ataque — problema recorrente em partidas decisivas.
O tempo ainda reservou tensão: reclamou-se de possível toque de mão de Ekuban na área do Genoa, mas o VAR não confirmou irregularidade. Em acréscimos do primeiro tempo, Ilkhan cometeu falta dura em Colombo e foi expulso, deixando o Torino com dez jogadores num momento crítico do jogo.
Na etapa complementar, o Genoa manteve o controle. O Torino tentou buscar o jogo com as mudanças promovidas por Marco Baroni, e teve chances com Prati, Gineitis e Zapata, mas esbarrou na organização defensiva do adversário e em defesas seguras de Bijlow. A resposta genovesa foi cirúrgica: aos 83 minutos, aproveitando um erro de passe de Pedersen, Junior Messias finalizou com precisão para consolidar o 3 a 0.
Além do resultado, a vitória oferece ao Genoa algo que não se mede apenas em números — confiança coletiva e narrativa de recuperação. Com os três pontos, os rossoblù alcançam 27 pontos e igualam o Torino na tabela, renovando a disputa pela permanência. Para o clube de Gênova, que vive historicamente as oscilações de um futebol marcado por restrições econômicas e debates sobre identidade regional, esse triunfo assume contornos maiores: consolida um processo de reconstrução técnico-tática e restaura um capital simbólico junto à torcida.
O calendário segue exigente: no próximo compromisso, os genoveses vão ao Meazza encarar a poderosa Inter (sábado), enquanto o Torino receberá a Lazio no domingo, 1º de março. Jogos que dirão se o resultado de hoje foi epifania momentânea ou ponto de partida de uma reação sustentável.
Em termos práticos: vitória por 3 a 0, gols de Norton-Cuffy, Ekuban e Messias, expulsão de Ilkhan, e uma classificação que passa a ser mais tensa e mais aberta — como costuma ser o fim de inverno nas disputas de salvezza na Itália.






















