Na noite de segunda-feira que encerrou a 24ª rodada da Serie A, o confronto entre Roma e Cagliari foi marcado por um episódio arbitrale logo nos primeiros minutos. Aos 5′ do primeiro tempo, um lance envolvendo Malen e Dossena gerou intensa discussão nas duas equipes e na arquibancada do Olímpico.
Segundo a sequência que se montou, Malen — apontado pela reportagem como reforço do mercado de janeiro vindo do Aston Villa — recebeu um passe em profundidade e abriu a corrida nas costas de Dossena, que, surpreendido, cometeu falta para deter o avanço do atacante. A percepção imediata de jogadores e comissão técnica da casa foi de que o contato merecia cartão vermelho e consequente expulsão do defensor.
As reações no banco da Roma foram veementes, com protestos direcionados ao árbitro Marcenaro. Entre os que mais se destacaram nas reclamações esteve o técnico citado na cobertura, que pediu a sanção máxima para o zagueiro do Cagliari. A situação ilustra como um único lance, ainda que precoce na partida, pode alterar o tom e o controle emocional de um jogo.
O árbitro Marcenaro, contudo, justificou a decisão de não aplicar o cartão vermelho com base nos critérios que definem a falta como atitude de último homem. Na avaliação da equipa de arbitragem, não estavam reunidos os pressupostos: Malen não detinha posse de bola no momento do contato e a direção de sua corrida ainda se orientava para a lateral do campo e não diretamente para a meta adversária. Assim, faltaram os elementos que, de acordo com as leis do jogo, caracterizam a negação de uma clara oportunidade de golo.
Do ponto de vista disciplinar e técnico, o episódio reforça duas questões recorrentes no futebol italiano contemporâneo. Primeiro, a interpretação subjetiva de critérios como o da “posse” e da “direção da corrida” por parte da arbitragem; segundo, a importância da uniformidade de decisões para evitar que decisões isoladas influenciem a narrativa de uma partida inteira. Em uma liga onde pequenos detalhes definem trajetórias, a consistência administrativa e a comunicação clara do árbitro são vitais para a legitimidade do resultado.
Para a Roma, a interrupção precoce e as consequentes emoções no banco tendem a influenciar a gestão do coletivo nos minutos seguintes. Para o Cagliari, o alívio por manter o jogador em campo pode ter efeitos táticos imediatos. No plano mais amplo, episódios assim alimentam o debate sobre a aplicação prática das regras e a eventual necessidade de maior clareza nas orientações à arbitragem — um tema que transcende o resultado de uma só noite no Olímpico.
Em suma, o lance de Dossena sobre Malen aos 5′ não originou expulsão, por decisão de Marcenaro, mas deixou rastros: protestos acalorados, uma partida tensa e questões abertas sobre interpretação e uniformidade na Serie A. Resta acompanhar como as equipes reagirão ao clima criado por um início tão contestado.






















