Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
O Bologna voltou da Noruega com uma vitória curta, mas de grande significado: 1 a 0 sobre o Brann, resultado que confere vantagem importante no jogo de ida dos playoffs da Europa League. Em uma partida disputada em um gramado pesado e sob condições que limitaram o futebol de controle, o time dirigido por Vincenzo Italiano mostrou resiliência e capacidade de adaptação — qualidades que, nas últimas semanas, pareciam fugir aos rossoblù.
O gol que decidiu o confronto saiu cedo. Aos 9 minutos, em uma jogada bem construída, Bernardeschi acendeu a ação, Cambiaghi deu o passe final e Castro concluiu com um diagonale preciso: seu primeiro gol em competições europeias na carreira, o décimo da temporada e o terceiro seguido. Foi uma solução de qualidade num jogo em que a qualidade de passe foi frequentemente comprometida pelo campo.
O cenário foi de domínio territorial alternado. O Brann passou a maior parte do tempo com a bola, forçando o Bologna a conviver com o jogo físico dos anfitriões; ainda assim, os visitantes souberam tolerar os duelos e manter a organização. O goleiro Skorupski teve intervenções decisivas a meio do primeiro tempo, evitando o empate em duas chances consecutivas criadas por Myhre e Thorsteinsson.
Italiano repetiu a base que havia sido utilizada na partida em Turim, com oito titulares confirmados, e confiou em jogadores de transição como Ferguson para ligar as linhas, além da dupla de alas formada por Bernardeschi e Cambiaghi, encarregada de abastecer Castro. No intervalo, alterações táticas: entraram Orsolini e Dallinga — o primeiro para buscar mais profundidade, o segundo para compensar uma substituição forçada.
O segundo tempo confirmou a dureza do embate. O Bologna tentou ampliar em contra-ataques e bolas laterais, enquanto o Brann tentou furar a linha defensiva adversária em investidas físicas e por dentro. No fim, prevaleceu a capacidade coletiva do time italiano de suportar pressão e preservar o resultado.
O triunfo na Noruega é mais do que três pontos simbólicos: representa um respiro de confiança para o elenco, que luta por regularidade, e reduz a margem de incerteza para o jogo de volta, marcado para a próxima quinta-feira no Dall’Ara. Antes disso, porém, o Bologna tem pela frente um compromisso doméstico — o confronto contra o Udinese, na segunda-feira — que servirá como termômetro para a forma física e o nível de concentração que o time levará ao decisivo reencontro europeu.
Como observador que acompanha os contornos históricos do futebol italiano, vejo nesta vitória um exemplo de como competições continentais funcionam também como barômetros institucionais: elas expõem profundidades de elenco, a capacidade de um treinador em ajustar rotinas e, sobretudo, a relação entre estratégias curtas (um resultado fora) e projetos de médio prazo (manutenção de identidade e consistência). Para o Bologna, esta noite em Bergen foi uma pequena reafirmação de propósito — mais simbólica que brilhante, mas necessária.





















