Por Otávio Marchesini – Espresso Italia
O resultado em Dortmund foi amargo, mas coerente com o que a partida ofereceu. Antes de projetar o jogo de retorno pela Champions, porém, é necessário voltar os olhos ao desafio imediato contra o Napoli e, sobretudo, a um problema que vem condicionando o rendimento da Atalanta desde há meses: o de Gianluca Scamacca.
Se a temporada europeia já alcançou, por ora, o objetivo mínimo — a manutenção na rota dos oitavos, repetindo o que se obteve no ano anterior —, o balanço esportivo até maio dependerá, em larga medida, da recuperação do seu homem de referência no ataque. E a verdade, observada no palco internacional, é que o atacante não tem dado sinais de reativação.
Mesmo sem atuar por três partidas (contando a alteração tática prematura em Como), Scamacca entrou em campo em Dortmund como se fosse um espectador privilegiado, distante das disputas, movendo-se com lentidão e demonstrando pouco empenho na disputa pela bola. Não se trata apenas de um déficit de gols: o que preocupa é a ausência de compromisso prático com as demandas coletivas — um compromisso que a equipe toda precisa, e que há meses ela busca sem êxito.
O episódio fica evidente em gestos e reações: ao redor do 30º minuto, Kolasinac fez sinais claros ao atacante, pedindo outro nível de dedicação, sinalização de um descompasso interno já visível há tempo. Se a postura permanecer essa, os números finais de Scamacca ao término da temporada tenderão a ser insuficientes para as ambições atalantinas.
Historicamente, a situação não é inédita. A temporada passada havia sido praticamente perdida pelo atacante devido a duas lesões que o mantiveram à margem; desde agosto, portanto, o problema tem sido mais de atitude do que apenas físico. Houve momentos em que o problema foi atribuído à influência técnica de um treinador — primeiro a Juric, depois à transição para a equipe atual —, mas a chegada de Palladino não alterou substancialmente o comportamento do jogador.
Vale lembrar que, quando desembarcou em Bérgamo no verão de 2023, Scamacca também mostrou sinais de descompromisso. Foi apenas uma reação enérgica do então técnico Gasperini — descrita na época como veemente — que o fez retomar desempenho por cerca de seis meses, contribuindo de forma concreta para a campanha vitoriosa na Europa League. Importante frisar: contribuiu para vencer, não venceu a competição sozinho, como recebem certa tutela mítica alguns defensores do jogador.
Hoje, novamente, falta Scamacca — ou melhor, falta o seu envolvimento. Palladino, com sua compostura civil, não tem conseguido reverter a situação tampouco com a opção de preservá-lo no banco. Resta à direção encontrar um remédio institucional e técnico: se o treinador não consegue extrair resposta, cabe ao clube intervir de forma clara e rápida.
O time atravessa um período decisivo. Recuperar o centroavante não é apenas uma questão de melhorar estatísticas individuais; é condição para a recuperação do equilíbrio coletivo, para que a Atalanta mantenha ambições nacionais e europeias e para que a narrativa esportiva da cidade não se prejudique por um problema que já se mostrou, em outras épocas, administrável.
Em resumo: a paciência tem limites. A torcida, a comissão e a diretoria merecem postura e respostas. E Gianluca Scamacca, se quiser salvar a própria temporada e o projeto coletivo, precisa demonstrar, já, que há mais do que talento — que há compromisso.





















