A Procuradoria de Roma abriu um inquérito após a entrega, nesta tarde, de um relatório sobre as ameaças de morte dirigidas ao árbitro Federico La Penna, que apitou o confronto entre Inter e Juventus. A partida, válida pelo campeonato nacional, terminou em 3-2 a favor dos nerazzurri e ficou marcada por controvérsias, especialmente em torno da expulsão do juventino Kalulu, punido por uma suposta simulação provocada por Bastoni.
O caso está sob investigação do Centro Operativo para a Segurança Cibernética do Lácio, coordenado pela polícia postale. No relatório entregue ao Ministério Público foram anexados prints e registros das mensagens de ódio e das ameaças publicadas nas redes sociais.
La Penna formalizou queixa depois de receber mensagens intimidatórias de teor explícito como “Ti sparo”, “Ti ammazzo” e “Ti veniamo a cercare, sappiamo dove abiti”. As autoridades já começaram a rastrear os perfis que postaram as ameaças para identificar os responsáveis e estabelecer responsabilidades penais e administrativas.
Do ponto de vista institucional, o episódio reaviva preocupações já recorrentes sobre a segurança de árbitros e agentes do futebol diante da escalada de hostilidades online. A investigação da polícia postale soma-se a procedimentos disciplinares internos da federação que, embora atuem em esferas distintas, convergem para a necessidade de proteção efetiva a quem exerce função imprescindível para a prática desportiva.
Enquanto a cronologia dos fatos — do lance que motivou a expulsão de Kalulu até a onda de insultos nas redes — é apurada, cabe também uma leitura mais ampla: o futebol contemporâneo, especialmente em ambientes de alta polarização como clássicos e duelos decisivos, opera como amplificador de tensões sociais. Estádios, torcidas e plataformas digitais funcionam como espaços em que identidades coletivas se afirmam, e por vezes ultrapassam limites legais e éticos.
Não se trata apenas de punir autores de ofensas; trata-se de redesenhar protocolos de proteção, reforçar a cooperação entre federações e forças de segurança e promover campanhas culturais que reduzam a normalização da violência verbal e das ameaças. A ação do Centro Operativo do Lácio é um passo técnico necessário, mas insuficiente se medidas educacionais e institucionais não acompanharem a resposta penal.
Nos próximos dias a investigação deve identificar responsáveis e direcionar eventuais ações penais. Para La Penna, além da proteção imediata, o desfecho é importante para estabelecer precedentes que inibam práticas semelhantes. Para o futebol italiano, é uma nova chamada de atenção: a paixão que move massas precisa conviver com limites claros, sob pena de converter rivalidade esportiva em perigo real para pessoas.





















