Por Otávio Marchesini — Em uma leitura que combina pragmatismo tático e eficácia em momentos decisivos, a Fiorentina construiu na noite desta quinta-feira uma vantagem clara no primeiro jogo do playoff da Conference League ao derrotar o Jagiellonia por 3-0, fora de casa. O triunfo toscano, assinado por Ranieri, Mandragora e Piccoli (de pênalti), oferece controle significativo para o retorno a Firenze, mas também aponta para questões estruturais do clube que merecem leitura além do placar.
O treinador Vanoli promoveu alterações visíveis na escalação: a referência ofensiva foi Piccoli, respaldado por uma linha de quatro jogadores em apoio — Harrison, Fabbian, Ndouré e Fazzini. A proposta era clara: dominar as zonas intermediárias, explorar bolas paradas e neutralizar a dinâmica caseira do adversário.
O primeiro tempo foi de poucas emoções tangíveis para os visitantes, com o Jagiellonia a carregar maior protagonismo territorial nas ações iniciais. Aos 10 minutos, houve um susto quando Imaz cruzou e a defesa violeta, em especial o jovem Fortini, sofreu com a proximidade de Jozwiak, embora o lance não tenha evoluído para gol. Ainda antes do intervalo, a Fiorentina cresceu e protagonizou sua primeira oportunidade real com um arremate perigoso de Fabbian, bem defendido pelo goleiro Abramowicz.
Na etapa final, a equipe italiana entrou mais incisiva. Logo aos 48 minutos, Gosens testou de cabeça sem direção. Aos 53 minutos (8′ do segundo tempo) veio a abertura do marcador: no seguimento de um escanteio, Fazzini cruzou e Ranieri cabeceou no segundo poste — a tentativa ainda contou com falha do goleiro Abramowicz, que praticamente empurrou a bola para dentro da própria meta. Foi um gol que traduzia a superioridade tática e a atenção às jogadas de bola parada.
Aos 58 minutos, Fortini quase ampliou, e o árbitro anulou um gol dos poloneses por impedimento de Wdowik pouco depois. O segundo gol da noite, aos 65 minutos, foi a prova técnica: Mandragora cobrou uma falta com o pé esquerdo e colocou a bola no ângulo — eficiência individual decisiva em competições europeias. Aos 80 minutos, a Fiorentina consolidou a vitória quando um pênalti foi assinalado por falta sobre Piccoli; o próprio atacante converteu, fechando o marcador em 3-0.
Do ponto de vista mais amplo, o resultado é significativo: garante margem de manobra para a volta em Florença e confirma que o time responde bem quando organiza a saída de bola e capitaliza em bolas paradas. Ainda assim, a partida não esconde fragilidades defensivas pontuais e a necessidade de manter concentração no retorno — um jogo que, no estádio Artemio Franchi, será medido não apenas em termos técnicos, mas como um ato de afirmação identitária para uma torcida que vê no clube um símbolo regional.
Em suma, a Fiorentina leva vantagem sólida ao próximo jogo, mas a leitura que fica é dupla: houve mérito tático e individual; há, ao mesmo tempo, um convite à prudência para não transformar a boa noite na Polônia em complacência antes do segundo ato desta eliminatória.





















