Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Às vésperas da partida de ida dos playoffs da Conference League contra o Jagiellonia na Polônia, a Fiorentina terá de redesenhar sua proposta tática. O treinador Vanoli não contará com dois jogadores previstos inicialmente na lista de viagem: o goleiro De Gea e o extremo ofensivo Solomon.
Segundo o boletim oficial do clube, De Gea ficou de fora por conta de uma subluxação do terceiro dedo da mão — lesão já identificada na partida contra o Como — e não integrará a convocação para o confronto europeu. Solomon, por sua vez, é ausência por uma síndrome gripal e também foi excluído da lista. Ambos serão reavaliados visando ao jogo de segunda-feira, no Franchi, contra o Pisa pelo Campeonato Italiano.
Do ponto de vista tático, a indisponibilidade do guarda‑redes obriga mudanças inevitáveis no desenho defensivo e na gestão de substituições. A presença de um substituto com perfil semelhante ao de De Gea pode alterar a maneira como a equipe trabalha a saída de bola e a imediata organização nas bolas paradas. Já a ausência de Solomon enfraquece opções de amplitude e aceleração nas transições ofensivas — um aspecto frequentemente decisivo em jogos fora de casa, especialmente em terrenos e climas diferentes como os que a equipe encontrará na Polônia.
Não se trata apenas de trocar nomes: trata‑se de reajustar ritmos, responsabilidades e rotinas de treino em poucas horas. Em jogos de mata‑mata, a margem de erro é pequena e a capacidade de adaptação do corpo técnico costuma ser tão determinante quanto a qualidade individual dos jogadores. Vanoli, que já mostrou flexibilidade tática em outras ocasiões, terá agora que equilibrar conservação de forças para o calendário doméstico e a necessidade de um resultado competitivo na ida.
Há também uma dimensão mais ampla: a carga de partidas, viagens e a gestão de quadros médicos num calendário europeu moderno impõe escolhas que falam sobre estrutura e profundidade de elenco. Para um clube com a história europeia da Fiorentina, cada rotação é também um teste à capacidade institucional de manter competitividade sem sacrificar a recuperação física.
O cenário abre espaço para jovens ou alternativas menos utilizadas mostrarem adaptabilidade. Ao mesmo tempo, deixa a diretoria e a comissão técnica com a obrigação de avaliar prazos e comunicar com transparência o estado clínico dos atletas — sobretudo com uma partida no Franchi em pouco mais de 48 horas.
Em resumo: a viagem à Polônia será feita sem De Gea e Solomon. Resta acompanhar as opções de Vanoli e a readaptação do time, sabendo que, além do resultado esportivo imediato, há leituras sobre gestão de elenco e memória de competições internacionais em jogo.






















