Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — Em uma noite que condensou drama esportivo e contradições táticas, a Fiorentina carimbou a vaga para os oitavos de final da Conference League apesar da derrota por 4-2 na Polônia contra o Jagiellonia, resultado que só se confirmou após os dois tempos de prorrogação. O confronto, que parecia resolvido após o 3-0 da Viola no jogo de ida, transformou-se numa lição sobre memória coletiva, gestão de jogo e risco competitivo.
O jovem talento do Jagiellonia, Dawid Mazurek (classe 2007), foi a figura da noite polonesa: marcou uma tripletta e colocou em xeque a tranquilidade que a vitória de 3 a 0 no primeiro jogo havia conferido à delegação italiana. Ainda assim, a classificação da Fiorentina veio graças aos gols de Fagioli e a uma infeliz auto‑gol na segunda etapa da prorrogação, que selaram a soma agregada que favoreceu a equipe italiana.
O roteiro da partida mostrou uma Fiorentina desconexa. Logo aos 4 minutos, Pululu desperdiçou grande chance diante de Lezzerini após antecipar Comuzzo, que pouco depois foi advertido com cartão por interromper jogada perigosa. O primeiro golpe do Jagiellonia saiu na metade do primeiro tempo, quando Mazurek aproveitou a assistência de Pululu e venceu um Lezzerini que não teve a noite mais segura.
A sequência de erros da meta violeta prosseguiu aos 43 minutos: saída equivocada numa bola parada dos poloneses e nova oportunidade desperdiçada por Vital à queima‑roupa. Antes do intervalo, nova vez de Mazurek para ampliar, desta feita aproveitando uma infelicidade de Comuzzo após perda de bola de Mandragora no meio.
O técnico Vanoli tentou reorganizar o time — escalando um 4-1-4-1 com Dodo aberto e alterações como Piccoli —, mas teve pouco retorno. No intervalo da partida, entrou De Gea no lugar de Lezzerini, que sentiu problema muscular, e mais tarde Harrison substituiu Fortini. Ainda assim, aos 4 minutos do segundo tempo, Mazurek concluiu o hat‑trick em contragolpe, agravando a situação da equipe italiana.
Na reta final, Vanoli ainda lançou mão de Kean para buscar a reação, mas o atacante não encontrou o gol no tempo regulamentar. Na prorrogação, a Fiorentina mostrou outra face: inicialmente com uma falha de saída do adversário que permitiu a Fagioli descontar, e logo depois beneficiada por um auto‑gol de Romanczuk em uma sequência onde Fabbian e Kean tiveram participação ativa na pressão ofensiva.
O Jagiellonia ainda diminuiu com Imaza, aos três minutos do fim, mas o 4-2 serviu apenas para fechar uma partida que entra para a memória como contraste entre a categoria do resultado agregado e a fragilidade mostrada em solo polaco. Para a Fiorentina, resta a sensação de vitória custosa e a evidência de que, em competições europeias, a história de um clube é reescrita minuto a minuto — às vezes com sustos que funcionam como alertas para ajustes estruturais e de gestão esportiva.
Ficha rápida: Jagiellonia 4-2 Fiorentina (agregado 4-5). Destaque para Mazurek (hat‑trick) e o gol decisivo de Fagioli, que selou a passagem dos italianos aos oitavos da Conference League.






















