Por Giulliano Martini — Apuração em Maranello. A Ferrari apresentou oficialmente a nova monoposto que disputará o Mundial de Fórmula 1 em 2026, batizada de SF26. O desenho gráfico da máquina remete de forma explícita à clássica 312 T dos anos 1970, a mesma que, conduzida por Niki Lauda em 1975, marcou a retomada dos títulos mundiais para o Cavallino Rampante.
O tributo não é casual: a 312 T é lembrada como a vettura da renascença, responsável por trazer de volta a Ferrari aos píncaros do automobilismo depois de onze anos sem conquistar campeonatos, desde a vitória de John Surtees em 1964. Hoje, com 19 anos desde o último título — obtido por Kimi Räikkönen em 2007 —, a Scuderia busca novamente uma virada de ciclo.
Na apresentação, o team principal Frederic Vasseur definiu a SF26 como o marco inicial de “um novo ciclo para a Fórmula 1 e para a Ferrari”, enfatizando que a temporada que se aproxima vem acompanhada de mudanças regulatórias profundas: novo chassi, nova power unit, combustíveis renovados e pneus com características distintas. “Essa vettura é o resultado de um grande trabalho de equipe e inaugura um percurso completamente novo, construído sobre regras diferentes que colocarão todos os concorrentes diante de não poucas incógnitas”, afirmou Vasseur.
O cronograma imediato prevê testes em pista já na próxima semana em Barcelona, etapa descrita por Vasseur como essencial para “compreensão e validação” do projeto. A prioridade inicial, segundo o dirigente, será acumular conhecimento e estabelecer bases técnicas sólidas para o desenvolvimento ao longo da pré-temporada.
Na visão dos pilotos, a mudança é igualmente profunda. Lewis Hamilton, já integrado ao projeto Ferrari, definiu as novas normas como “o maior ajuste que o esporte já viu” e disse ter encontrado desafio estimulante em participar do desenvolvimento da SF26 desde o começo.
Charles Leclerc, por sua vez, ressaltou a complexidade adicional exigida dos pilotos: “As regras de 2026 demandam preparação ainda mais aprofundada, há muitos sistemas novos a entender e aproveitar. Trabalhamos desde o início no desenvolvimento para chegar à pista o mais preparados possível”. O monegasco sublinhou que a gestão da energia e da power unit será um dos pontos-chave: “Será uma adaptação rápida, começando pelo instinto e depois cada vez mais orientada por dados precisos”.
Do ponto de vista jornalístico, a apresentação da SF26 representa uma combinação de simbolismo estético e renovação técnica. A referência à 312 T traduz um apelo histórico e emocional; as mudanças regulatórias forçam, contudo, um enfoque pragmático: testar, medir e reajustar. Em Maranello, a aposta é que a conjugação entre inovação técnica e coesão da equipe resulte em competitividade no curto prazo.
Seguiremos com cobertura in loco durante os testes em Barcelona, com cruzamento de fontes internas e análise detalhada dos dados de pista assim que estiverem disponíveis. A realidade traduzida: a Ferrari inicia uma nova temporada sob intensa expectativa e com desafios técnicos inéditos.




















