Federica Brignone afirmou, com a clareza típica de quem monitora cada sinal do próprio corpo, que o gigante é a prova em que sente mais dor, mesmo sendo a que melhor lhe sai. A declaração foi dada em coletiva realizada em Plan de Corones, onde a italiana confirmou o retorno à competição programado para amanhã.
Na coletiva, a atleta destacou a incerteza que persiste até o momento de largar: “Nenhum atleta está 100% certo, no nosso esporte, de participar dos Jogos Olímpicos enquanto não estiver no cancelletto de partenza” — traduziu a realidade crua da preparação olímpica. Brignone reafirmou que ainda não se sente totalmente segura quanto à participação.
Relato de recuperação e adaptação: em dezembro ela voltou a andar com esquis de turismo. Quando trocou para os esquis de gigante o retorno foi complicado — “um desastre” —, mas na segunda metade do mês começou a perceber sinais de melhora: “foi realmente duro”. Essa trajetória foi confirmada por acompanhamentos e cruzamento de fontes próximos à equipe técnica.
Sobre a preparação, Brignone explicou que se dividiu entre treinos em Cortina e em Dobbiaco. “Tenho apenas 10 dias entre os postes, são poucos”, disse a atleta, evidenciando o tempo reduzido de trabalho específico em pistas de slalom gigante. Em Val di Fassa o foco foi o trabalho sobre a velocidade, onde, segundo ela, sente menos dor.
O plano de treino adotado foi descrito como diferente do habitual: rotinas semanais e decisões tomadas de curto prazo. “Meus programas até agora foram semanais, não a longo prazo. Não podemos fazer de outro modo”, declarou Brignone, sintetizando a lógica pragmática que orienta a temporada diante de limitações físicas.
Quanto aos próximos passos, a esquiadora afirmou que a continuidade dependerá das sensações após a prova de amanhã. Se as respostas do corpo permitirem, seguirá para Cortina para intensificar trabalhos de velocidade. A inscrição em Plan de Corones ocorreu depois de dois dias de treinos em Dobbiaco, decisão tomada com base no monitoramento diário do estado físico.
Um detalhe técnico: Brignone confessou não ter feito até agora saltos e dossiês (jump e bumps) em treinamento recente, informação relevante para avaliação de risco em provas de velocidade. A posição da atleta é de cautela, centrada na gestão da dor e na otimização do tempo limitado disponível antes das provas decisivas.
Apuração in loco e cruzamento de fontes com a equipe técnica confirmam a narrativa de recuperação gradual. A realidade traduzida pela atleta é simples e direta: tratar a dor, calibrar sensações e decidir passo a passo — sem cenários definitivos até o instante da largada.






















