Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
O Eudi Show retorna a Bolonha como um ponto de encontro central para quem pratica, estuda ou se interessa pelo universo subaquático. Entre exposições, debates e encontros com grandes nomes da atividade, a feira mantém-se, após 31 edições, entre as mais importantes mostras europeias dedicadas ao setor.
Ao longo de três dias, dezenas de milhares de visitantes percorrem os corredores da Fiera, onde mais de 250 expositores apresentam equipamentos, cursos, projetos de investigação e iniciativas de conservação. O evento funciona tanto como um termômetro do mercado — avaliando inovação e tendências — quanto como um espaço de verificação técnica, atualização e formação continuada.
As disciplinas presentes vão desde o mergulho autônomo e a apneia até a fotografia subaquática, passando pela exploração de fondali e pelas múltiplas práticas que orbitam o contato com o mar. Independentemente da especificidade, o denominador comum entre expositores e visitantes é a preocupação com a preservação do ambiente marinho: por isso, a programação dedica amplo espaço a seminários, testemunhos e projetos relacionados à salvaguarda dos ecossistemas costeiros.
Um dos eixos principais do encontro é a proteção do Mediterrâneo. Além de promover o esporte e o seu indutor econômico, o Eudi Show serve como vitrine para iniciativas científicas e de gestão territorial voltadas a tornar as comunidades costeiras mais resilientes. No palco, especialistas discutem ações práticas, redes de monitoramento e programas de educação ambiental que buscam transformar a experiência recreativa em compromisso coletivo.
Também marca presença institucional a FIPSAS, com os seus setores dedicados às Attività Subacquee, Nuoto Pinnato e Didattica Subacquea. A federação traz ao evento não apenas a oferta formativa e as linhas de ação, mas também o retrospecto competitivo: em 2025, a entidade conquistou 127 medalhas internacionais, um indicador da saúde técnica das disciplinas que promove.
Mais do que um salão comercial, o Eudi Show funciona como uma plataforma cultural. Estádios e clubes, operadores turísticos e institutos de pesquisa encontram-se para recontar a relação entre sociedade e mar — uma relação que, na Europa mediterrânea, é histórica e contraditória: fonte de identidade e riqueza, palco de pressões ambientais crescentes.
Ao final de cada edição, o que permanece não é apenas o catálogo de novidades tecnológicas, mas o acúmulo de projetos compartilhados e a renovada consciência sobre a necessidade de proteger o mundo submerso. Para quem trabalha com o tema, visitar Bolonha durante o Eudi é, também, uma obrigação cívica: observar, aprender e levar adiante práticas que preservem o futuro do mar.






















