Alessandro Del Piero, ex-capitão da Juventus, reagiu com parcimônia às críticas proferidas pelo prefeito de Milão, Beppe Sala, no contexto do caso envolvendo o defensor Bastoni. A declaração foi feita no pré-jogo da partida de ida dos playoffs da Champions League contra o Galatasaray, durante a participação do ícone juventino no estúdio da SkySport.
Ao comentar as palavras do mandatário municipal lombardo — que o havia referido como um “simulador” que agora faria o papel de censurador — Del Piero afirmou ter se surpreendido: “Li as palavras de Sala. Fiquei surpreso, também porque eu não tinha falado de Bastoni“. O ex-atacante ressaltou seu princípio de responder dentro de campo e de evitar discussões públicas com torcedores ou com autoridades sobre episódios específicos.
Em tom respeitoso, Del Piero disse reconhecer a posição institucional de Sala — “ele é também o prefeito de Milão, respeito sua figura e as instituições” — mas descartou entrar em polêmica: “não me parece o caso de discutir com ele sobre futebol. Penso que tenha assuntos mais importantes para tratar”. O comentário foi fechado com um sorriso irônico, ao lembrar que o prefeito gastou tempo procurando seus vídeos nas redes sociais.
Do lado de Sala, a posição fora manifestada durante a apresentação do relatório “Your Next Milano 2026”, organizado por Assolombarda e Milano&Partners. Naquela ocasião, o prefeito, declarado torcedor do Inter, observou: “Certamente Bastoni errou. Depois vejo comentaristas que na carreira fizeram simulações incríveis se colocarem como censores”. Sala citou vídeos em circulação com cenas atribuídas a figuras como Chiellini e Del Piero, e alertou para o risco de consequências hostis nas redes sociais que podem inflamar a ira de torcedores.
Enquanto a controvérsia se desenrola, a troca de palavras entre vozes públicas ilustra um problema mais amplo: a transformação do futebol em palco de disputa simbólica, onde gestos dos atletas são examinados não só pela régua das regras esportivas, mas também pelo prisma moral e político. Del Piero, com sua postura clássica de ex-capitão, opta pelo recolhimento e pela crônica de campo — uma escolha que carrega significado histórico em um país que faz do futebol parte de sua memória coletiva.
Como repórter e analista, vale destacar que a incursão de autoridades civis na seara esportiva tende a amplificar polêmicas em momentos de elevado interesse público, como os playoffs da Champions League. A resposta medida de Del Piero reflete tanto sua trajetória quanto uma percepção institucional: o futebol é espetáculo, mercado e memória — e, acima de tudo, um fenômeno social que exige tratamento cuidadoso quando adentra espaços de argumentação pública.
Na semana em que a Juventus se prepara para enfrentar o Galatasaray, a conversa se desloca do gramado para as redes e gabinetes, lembrando que as figuras do esporte continuam a ocupar lugares de interlocução na esfera pública. E, para evitar ruídos desnecessários, Del Piero fez uma escolha clara: manter a discussão onde acredita ser mais produtivo — em campo.





















