Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Cristiano Ronaldo anunciou a aquisição de uma participação de 25% no UD Almería, clube espanhol atualmente na Segunda División e de propriedade saudita. A operação foi confirmada pela nova holding do jogador, a CR7 Sports Investments, que em seu comunicado tratou o movimento como um investimento estratégico de longo prazo na gestão de clubes profissionais de futebol, sem, no entanto, revelar valores financeiros envolvidos.
Ao comentar a negociação, Cristiano Ronaldo afirmou que consolidar um papel na propriedade de clubes sempre foi uma aspiração: “Era uma ambição que eu tinha há muito tempo: contribuir para o desenvolvimento do futebol”. O Almería, rebaixado da primeira divisão em 2024, ocupa hoje a terceira colocação da Segunda División, a apenas um ponto das vagas de promoção direta — um enquadramento esportivo que torna o investimento tanto desafiador quanto potencialmente recompensador.
Nas palavras do presidente do clube, Mohamed Al Khereiji, o papel do craque não será apenas simbólico: “Ele será especialmente envolvido no setor juvenil. É considerado o melhor de todos. Conhece muito bem os campeonatos espanhóis e entende o potencial do que estamos a construir”. Esse foco na formação sublinha uma estratégia que tem sido recorrente nas aquisições modernas: combinar imagem e capital com projeto esportivo sustentável.
Do ponto de vista institucional, a compra de uma fatia do Almería por parte de uma figura da envergadura de Cristiano Ronaldo amplifica perguntas sobre o papel de atletas-investidores no futebol europeu. Ronaldo, que atua no Al Nassr desde 2023 e já detém participação naquele clube, entrou no ano passado no Billionaire Index da Bloomberg — um marco inédito para um jogador em atividade. A confluência entre carreira esportiva, imagem global e interesses empresariais desenha um novo perfil de liderança no esporte contemporâneo.
Para o Almería, a chegada do português tem consequências práticas e simbólicas. Na prática, pode significar maior investimento em categorias de base, atração de patrocinadores e visibilidade internacional. Em termos simbólicos, representa a internacionalização da ambição do clube e uma ponte entre o capital saudita e a marca pessoal de um dos atletas mais reconhecidos do planeta.
Há também uma leitura cultural: a presença de Ronaldo em estruturas de gestão reforça a tendência de transformação do futebol em produto transnacional, onde ídolos se tornam acionistas e as identidades locais convivem com interesses globais. Em povoados e cidades espanholas, estádios sempre foram espaços de memória coletiva; alianças como esta colocam o futuro desses locais sob uma nova economia da atenção.
Por fim, sem esquecer o campo, resta acompanhar se o investimento terá impacto imediato na luta por acesso à elite do futebol espanhol. Ronaldo, que daqui a menos de dois anos vestirá a seleção de Portugal no seu sexto Mundial, amplia assim seu legado para além das quatro linhas: não mais apenas protagonista em campo, mas também agente estruturante de projetos que podem redesenhar o panorama do futebol regional e europeu.






















