Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — Um episódio que por horas teve cheiro de mistério técnico e político marcou os preparativos em Cortina d’Ampezzo para as competições de velocidade nas Olimpíadas. Durante checagens de rotina na pista de bob do novo sliding center, técnicos encontraram os cabos do grupo gerador ligados de forma irregular. A descoberta motivou a interrupção imediata dos trabalhos e o acionamento das autoridades.
Em princípio, a anomalia fez emergir a hipótese de uma sabotagem, considerando-se o potencial de dano se a máquina fosse energizada naquela condição: curto-circuito, danos às instalações e riscos para pessoas. No entanto, após os primeiros levantamentos, as forças de segurança — que realizaram um primeiro exame no local com apoio da equipe científica — passaram a tratar com cautela a ideia de ato deliberado. A linha de investigação que ganha força é a de falha técnica ou erro no montagem dos cabos.
Segundo relatos dos trabalhadores e dos peritos, ao serem realizados os testes preventivos, a irregularidade nos cabos foi considerada capaz de provocar consequências graves. Por precaução, o equipamento não foi acionado, e foi comunicada a Polícia, que compareceu ao sliding center para um primeiro sopralluogo e para coletar indícios, incluindo eventuais impressões. A Procura de Belluno foi informada e acompanha o inquérito.
O caso assume contornos sensíveis porque se dá a poucas semanas das provas olímpicas de bob, slittino e skeleton. As autoridades, portanto, reforçaram imediatamente os controles de segurança das instalações. Fontes envolvidas nos trabalhos de montagem mencionaram ainda um episódio anterior, ocorrido semanas atrás no canteiro de obras, que inicialmente alimentou a suspeita de ação intencional. Contudo, os investigadores advertem que, até que as perícias finais sejam concluídas, não há elementos para afirmar haver ocorrido um atentado.
Do ponto de vista prático, o episódio evidencia a fragilidade dos elos técnicos que sustentam grandes eventos esportivos. Um fio trocado ou uma conexão mal feita podem transformar a logística sofisticada das Olimpíadas em fonte de risco — e também em matéria-prima para interpretações políticas e midiáticas. Por isso é compreensível o cuidado inicial das equipes em não descartarem a hipótese de interferência externa, e também a prudência das autoridades ao relativizarem essa possibilidade à medida que os fatos vão sendo verificados.
Nos próximos dias a investigação pericial seguirá para esclarecer se houve erro humano na instalação, falha de equipamento ou outro fator não intencional. A segurança do local foi ampliada, e a coordenação técnica do evento garantiu que nenhuma partida do cronograma competitivo será iniciada até que todas as garantias operacionais sejam restabelecidas.
Enquanto isso, a comunidade esportiva e a cidade de Cortina acompanham com atenção. O incidente serve como lembrete de que a preparação de uma arena olímpica é tanto uma operação de engenharia quanto uma aposta na confiança coletiva — um patrimônio que precisa ser protegido não apenas das intempéries, mas das fragilidades administrativas e técnicas.
Data do relato: 7 de fevereiro de 2026.






















