Em uma noite que misturou tensão tática e consequência imediata, Cabal foi expulso na partida de ida dos playoffs da Champions League entre Galatasaray e Juventus, realizada em Istambul. O zagueiro colombiano recebeu dois cartões amarelos em poucos minutos — entre o 59′ e o 63′ — e deixou a equipe bianconera com dez homens justamente na fase decisiva do jogo.
Os lances ocorreram de forma repetitiva e sintomática: primeiro, uma entrada que derrubou Yilmaz na direita da defesa juventina resultou no primeiro cartão. Quatro minutos depois, o mesmo padrão se repetiu. Depois de ser superado por um controle orientado do atacante turco, Cabal segurou a camisa e acabou derrubando o adversário, gesto que o árbitro Makkelie avaliou como suficiente para a segunda advertência e consequente vermelho.
Do ponto de vista estritamente disciplinar, a decisão do árbitro holandês foi coerente com a aplicação das leis do jogo: duas infrações com intensidade e repetição justificam a medida. Mas o episódio tem desdobramentos táticos e simbólicos para a Juventus. Perder um defensor central num confronto europeu implica reorganização imediata — seja com recuo do meio-campo, alterações nas linhas laterais ou maior exposição aos contra-ataques do adversário, sobretudo quando a infração ocorreu no setor em que se concentrava a ameaça principal do Galatasaray.
Historicamente, expulsões em confrontos decisivos funcionam como microcosmos das fragilidades de um elenco. Não se trata apenas do jogador que deixa o campo; é a arquitetura defensiva que perde um pilar e a gestão emocional da equipe em solo hostil que ficam em xeque. Para a Juventus, que já carrega dívidas de consistência em partidas fora de casa na Europa nos últimos anos, episódios como este acendem um alerta sobre a necessidade de controle disciplinar e de soluções rápidas por parte do treinador.
Do lado do Galatasaray, a circunstância entrega uma vantagem imediata: numericamente superior, o time local pode explorar espaços, exigir maior gasto energético do adversário e construir a gestão do resultado com calma. Ainda assim, partidas europeias se vencem com arquitetura coletiva e precisão técnica; o cartão vermelho é um elemento importante, mas não decisivo por si só.
Em suma, o episódio com Cabal em Istambul foi claro nos fatos e nas consequências: duas faltas fotocópia, dois amarelos em curto espaço de tempo e a saída prematura de um jogador chave, com todo o impacto tático que isso implica para a Juventus nesta eliminatória.
Nos próximos dias, será relevante observar as escolhas do treinador bianconero para o jogo de volta, a leitura técnica do departamento disciplinar quanto aos lances e como a narrativa coletiva do clube — sempre ligada a identidade e resiliência — responderá a mais um teste europeu.






















