Na anteprima do docufilm produzido em colaboração com a Aspi – Autostrade per l’Italia, o presidente do CONI, Luciano Buonfiglio, ofereceu uma reflexão que vai além do simples registro de um feito esportivo. Realizado no Salone d’Onore di Casa Italia, na Triennale di Milano, o evento trouxe à tona a relação entre memória, infraestrutura e identidade nacional.
Buonfiglio lembrou que “as Olimpíadas representam a história” e relacionou a trajetória das rodovias italianas ao desenvolvimento do país desde os anos 60: um percurso material e simbólico que permitiu ligações territoriais, mobilidade social e visibilidade internacional. Nesse sentido, a parceria entre Autostrade e o Comitê Olímpico surge como um connubio de sucesso, que atua tanto como patrocinador quanto como construtor de certezas coletivas.
Sobre a protagonista da obra, o presidente do CONI foi direto e pessoal: “Vi Ambra Sabatini vencer quando ela competia, sou um privilegiado. Procuro me emocionar todos os dias para viver plenamente. Ela é uma das minhas emoções.” A afirmação não é apenas uma declaração de apreço a uma campeã; é a expressão de um observador que reconhece no gesto esportivo um nó entre lembrança íntima e narrativa pública.
O docufilm intitulado “Ambra Sabatini. A un metro dal traguardo” propõe justamente esse exercício de ampliação: transforma a corrida — e o milésimo de segundo que decide destinos — em um tema de análise sobre resiliência, representação e a construção de heróis contemporâneos. Ao apresentar a peça na Triennale, espaço que habitualmente dialoga com cultura, design e memória coletiva, a produção se insere em um circuito que legitima o esporte como documento social.
Como repórter e analista, vejo na iniciativa uma continuidade necessária: a valorização de trajetórias esportivas através de narrativas visuais ajuda a fixar no imaginário público não apenas o resultado, mas as condições que o tornaram possível — estruturas, políticas de apoio, patrocínios privados e a própria geografia institucional do país. A associação entre Autostrade per l’Italia e o CONI exemplifica como atores públicos e privados podem colaborar para preservar memórias e fortalecer a presença do esporte na esfera cultural.
Ao final da projeção, permanecia clara a dimensão simbólica do encontro: não se tratou apenas de relembrar um pódio, mas de afirmar que histórias como a de Ambra Sabatini fazem parte de um patrimônio — coletivo, político e afetivo. Em tempos nos quais o esporte é frequentemente reduzido a métricas e rankings, iniciativas assim reconectam vitória e sentido, impondo um ritmo mais lento e reflexivo à narrativa esportiva.
Para quem acompanha o esporte italiano com olhar histórico e cultural, a noite na Triennale foi um lembrete necessário: celebrar um gesto atlético é também cuidar da memória que o torna significativo.






















