Em uma partida que misturou técnica, resistência física e leitura de jogo, Matteo Berrettini confirmou a passagem à segunda rodada do Masters 1000 de Indian Wells ao derrotar o francês Adrian Mannarino por 4-6, 7-5, 7-5, em duelo que ultrapassou duas horas e três quartos.
O resultado, para além do placar, é um pequeno estudo sobre a dimensão humana do esporte: um atleta que reaparece após um quadro gripal recente, lida com cãibras no terço final da partida e, ainda assim, encontra recursos técnicos e psicológicos para reverter o jogo. Berrettini, atualmente nº 66 do ranking ATP, saiu de um início adverso — perdeu o primeiro set — e foi gradualmente recuperando tanto o serviço quanto a confiança nos golpes.
“Estou realmente orgulhoso de mim mesmo. Lutei até o último ponto”, disse o italiano ao término da partida. Ele explicou que, no início do terceiro set, sentiu cãibras e que, inicialmente, ficou surpreso; logo lembrou que havia estado enfermo até três dias antes e, com isso, passou a gerir a partida de maneira mais pragmática: adaptar-se às sensações, conservar energia nos momentos-chave e explorar o saque quando possível.
A dimensão tática da vitória merece destaque. Mannarino, número 48 da ATP, entrou mais solto e comandou a fase inicial, obrigando Berrettini a recompor suas referências de jogo. A mudança veio com pequenos ajustes — maior consistência no primeiro saque, variação no ritmo e paciência nas trocas — e com a circunstância do torneio: as condições em Indian Wells variam muito entre dia e noite, e a mudança de luminosidade acabou beneficiando o italiano, que disse ter conseguido enxergar melhor a bola após o pôr do sol.
Num quadro mais amplo, a vitória de Berrettini funciona como um lembrete sobre a fragilidade e a renovação que atravessam a carreira dos tenistas: doenças, ritmos de torneio e pequenas lesões alteram trajetórias, mas também oferecem oportunidades de reafirmação. Para a Itália, que há anos acompanha com atenção a geração que o nome de Berrettini representa, é um alento ver o jogador reagir em um torneio de alto porte.
Ao finalizar, o atleta definiu o que pesou para a virada: “Servi bem e bati bem na bola. Estou um pouco cansado, mas satisfeito: deixei tudo em quadra”. Na próxima fase, o público e os analistas esperarão menos as circunstâncias e mais a capacidade do italiano de transformar esta luta em regularidade competitiva ao longo da temporada.
Assinado, Otávio Marchesini — Espresso Italia






















