Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Em meio a um clima de tensão provocado por protestos anunciados pela torcida organizada, o técnico do Torino, Marco Baroni, reconheceu o incômodo mas reafirmou o compromisso da equipe com a recuperação esportiva. “Dispiace per la contestazione”, disse Baroni, traduzindo em poucas palavras a sensação de desconforto pessoal e profissional voltada para a relação entre clube e torcedores.
Em entrevista à imprensa antes do confronto contra o Bologna, Baroni sublinhou que os apoiadores são “a parte central do futebol” e que a insatisfação, ainda que manifestada de forma dura, nasce da paixão. “Nós daremos tudo e procuraremos dar o primeiro passo”, afirmou o treinador granata, num tom que mistura resignação e responsabilidade.
É importante interpretar essa fala num contexto mais amplo. A contestação organizada não é apenas um protesto tático contra resultados: ela expressa uma exigência identitária. Para torcedores do Toro, o clube é um patrimônio coletivo cuja trajetória e dignidade são medidas em compromissos visíveis dentro do campo. Baroni parece consciente dessa dimensão simbólica — e, ao mesmo tempo, aposta na resposta prática: trabalho e prestação.
Sobre o adversário, o técnico granata não relativizou a dificuldade do jogo. “Enfrentamos uma grande equipe com um treinador que pratica um futebol moderno”, lembrou Baroni, referindo-se ao estilo do Bologna. “Eles estão em crise de resultados, mas não de jogo — precisaremos de uma atuação máxima em todos os aspectos.”
Uma definição clara veio em relação a Giovanni Simeone, figura central do ataque do Torino: “Ele nunca está em dúvida, se está bem, joga”, disse Baroni. A convocação de Simeone como titular não é apenas decisão tática: simboliza a necessidade de empregar força e experiência ofensiva num momento em que a equipe busca respostas imediatas.
Como analista, vejo nessa conjuntura elementos que ultrapassam o resultado de 90 minutos. Estádios e manifestações de insatisfação são espaços de memória coletiva; a contestação revela um contrato social entre clube e cidade que, quando tensionado, exige gestos claros — tanto de renovação quanto de prudência. Baroni, com sua fala, oferece um caminho conciliador: reconhece a frustração e promete entrega.
Resta saber se a entrega será traduzida em um rendimento capaz de acalmar as tribunas e reativar uma narrativa positiva para o Toro. No futebol italiano, mais que vencer, é preciso convencer — e esse é, no momento, o desafio mais urgente para Baroni e seu elenco.
Foto: torcida do Torino durante manifestação anunciada para o confronto com o Bologna.






















