Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Na anteprima do docufilm dedicado a Ambra Sabatini, realizada no Salone d’Onore de Casa Italia, na Triennale de Milão, Arrigo Giana, administrador delegado da Autostrade per l’Italia (Aspi), reafirmou um posicionamento que, para além do protocolo corporativo, tem uma dimensão pública e civil: a segurança rodoviária é uma obrigação cotidiana. “Para nós, o tema da segurança no trânsito é um must: trabalhamos todos os dias para garantir o uso seguro da nossa infraestrutura rodoviária”, declarou.
O documentário “Ambra Sabatini. A un metro dal traguardo”, apresentado em anteprima na Casa Italia, narra a trajetória de uma atleta que se transformou em símbolo. Portabandiera da Itália nos Jogos de Paris 2024, Ambra converteu a sua experiência de dor e perda — a amputação da perna esquerda ao nível do joelho após um acidente de trânsito — numa narrativa de resistência e reinvenção pessoal. É precisamente essa capacidade de transformar o trauma em impulso que o esporte, em sua forma mais íntima, torna visível.
A participação da Aspi na produção do docufilm e a sua condição de parceiro oficial de Milano Cortina 2026 reforçam uma plataforma dupla: apoiar o esporte e, simultaneamente, ampliar a mensagem sobre comportamentos responsáveis ao volante. “A nossa parceria com as Olimpíadas é de grande sucesso porque o evento olímpico é de grande sucesso”, observou Giana, sublinhando que o patrocínio vai além da visibilidade — trata-se de compromisso institucional com a segurança.
Do ponto de vista cultural e histórico, a presença de uma corporação como a Autostrade per l’Italia numa narrativa esportiva é sintomática de como instituições de infraestrutura pública ocupam, hoje, um papel central na construção de práticas cívicas. Estradas não são apenas vias de circulação: são espaços de sociabilidade, de risco e de memória coletiva. Investir em campanhas e conteúdos que humanizam a pauta da segurança transforma estatísticas em rostos e trajetórias — e esse é, em última instância, o mérito do filme sobre Ambra Sabatini.
Ao finalizar suas palavras, Giana sublinhou a dimensão exemplar da atleta: “Ambra, que é nossa testimonial, é um exemplo eclatante de como a qualidade esportiva da tenacidade consegue ultrapassar todas as dificuldades da vida”. Não é apenas um elogio retórico: é um reconhecimento da função simbólica do esporte — e um convite para que a sociedade veja, na questão da segurança rodoviária, uma responsabilidade compartilhada.
Em tempos nos quais a mobilidade se sobrepõe a velhos mapas de identidade regional e a grandes eventos reconfiguram territórios, a aliança entre organismos gestores de infraestruturas e o universo esportivo pode oferecer uma agenda pública útil. A história de Ambra é, portanto, também uma ponte: entre prevenção e esperança, entre políticas públicas e experiência individual.
— Espresso Italia






















