Kimi Antonelli foi o mais rápido na sessão da tarde que encerrou os testes de pré-temporada de F1 no Bahrein. Em um dia decisivo, o piloto bolognês cravou 1’33″669, superando por 249 milésimos o britânico George Russell, que pela manhã havia registrado a melhor marca do dia.
A classificação final do último dia teve a curiosa presença de Lewis Hamilton em terceiro lugar ao volante de uma Ferrari, a +0,540 do líder. A sessão de Hamilton, segundo o relato das equipes, foi interrompida por um primeiro problema de afidabilidade, que o forçou a parar após completar 138 voltas — um sinal que ressalta quanto os testes ainda são, sobretudo, avaliações mecânicas e logísticas, além de busca por desempenho.
Atrás do trio vinham Oscar Piastri (McLaren), a +0,880, e Max Verstappen (Red Bull), com +1″672 do tempo mais veloz. Esses números espelham tanto as intenções de trabalho de cada equipe — simulações longas, acertos de acerto e checagens de durabilidade — quanto a diversidade de programas de pista implementados ao longo dos três dias em Sakhir.
Para além dos cronômetros, o encerramento dos testes no Bahrein oferece material analítico relevante. Em primeiro lugar, a liderança de um piloto italiano, nascido em Bolonha, traz um componente simbólico: a presença nacional no topo de uma sessão de F1 reverbera na recepção do esporte na Itália, país que vive a F1 com intensidade cultural e que mantém uma relação histórica com a velocidade. Em segundo lugar, a alternância de nomes e montadoras nos melhores tempos deixa claro que o estágio de pré-temporada permanece experimental — nem sempre o melhor tempo traduz performance definitiva em corrida.
Como repórter e analista, vale observar o desenho mais amplo que estes testes revelam: equipes que privilegiam quilometragem e robustez tendem a priorizar fiabilidade antes de extrair voltas rápidas, enquanto outras podem procurar sinais de pacote de performance. A menção ao problema que impediu Hamilton de seguir rodando é um lembrete de que a luta técnica será intensa quando o campeonato começar oficialmente.
Encerrados os três dias em Bahrein, resta às equipes organizar os dados, ajustar estratégias de corrida e, sobretudo, interpretar o que os tempos por volta significam em termos relativos. Para os tifosi italianos e para a narrativa esportiva europeia, a foto final deste teste — com Kimi Antonelli no topo da folha de tempos — alimenta expectativas e reabre perguntas sobre o equilíbrio de forças para a temporada que se aproxima.
Reportagem de Otávio Marchesini, Espresso Italia — uma visão que situa os resultados nas estruturas e símbolos do esporte moderno.






















