Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
No encerramento do tempo de acréscimos da 24ª rodada da Serie A, Massimiliano Allegri foi expulso no duelo entre Milan e Como em San Siro. O vermelho mostrou-se consequência direta de um confronto à beira do gramado, originado por uma disputa envolvendo o ala belga Saelemaekers e membros da equipe adversária.
O incidente começou quando Saelemaekers sofreu um choque próximo à linha lateral, muito próximo ao banco do Como, e permaneceu no chão. O lance motivou um bate-boca que envolveu o próprio jogador rossonero e integrantes da comissão técnica liderada por Cesc Fàbregas. Ao notar a situação, Allegri avançou em defesa de seu atleta e acabou se envolvendo em discussões com diversos componentes do banco visitante, atraindo assim a atenção do quarto árbitro.
O árbitro Mariani dirigiu-se ao local e, após avaliação da situação, mostrou o cartão vermelho ao técnico do Milan. Ainda visivelmente incrédulo no banco, Allegri protestou dizendo, em tradução livre, que não havia praticado qualquer ato merecedor de expulsão, antes de ser obrigado a dirigir-se aos vestiários.
Do ponto de vista disciplinar, episódios desse tipo têm dupla leitura. Por um lado, traduzem a proteção imediata do treinador ao jogador — configuração recorrente no futebol moderno, em que a figura do técnico assume também o papel de guardião da integridade física e moral de sua equipe. Por outro, colocam em evidência as dificuldades de controle emocional à beira do campo e a responsabilidade institucional dos clubes em gerir comportamentos que podem resultar em sanções e prejuízos esportivos.
É preciso considerar também a arquitetura dos confrontos nas beiras do gramado: bancadas próximas, mesas técnicas compactas e o calor do final das partidas aumentam a probabilidade de atritos. A atuação de Mariani segue agora para avaliação pelos órgãos disciplinares da Serie A, assim como eventuais imagens suplementares que possam detalhar quem iniciou as hostilidades.
Historicamente, a presença de treinadores como protagonistas de discussões em campo exige dos clubes uma leitura estratégica — não apenas no que tange a multas e suspensões, mas na gestão da imagem pública. Para o Milan, uma equipe com grande visibilidade e responsabilidade simbólica na cultura futebolística italiana, episódios desse teor abrem questionamentos sobre autocontenção e representatividade institucional.
Ao término da partida, resta a expectativa pelos desdobramentos formais: relatórios de arbitragem, possível aplicação de suspensões e multas, e declarações posteriores das partes envolvidas. Enquanto isso, a cena de Allegri abandonando o campo expõe, com clareza, a tensão que ainda permeia o futebol italiano — onde o campo é, igualmente, espaço de disputa técnica e de narrativas públicas.
Allegri, Milan, Como, Saelemaekers e Mariani permanecem no centro de uma história cuja conclusão passará, sobretudo, pelos trâmites disciplinares e pela resposta institucional dos clubes.






















