Por Giulliano Martini
Apuração in loco e cruzamento de fontes no Australian Open: Carlos Alcaraz sofreu um episódio de cãibras durante a semifinal contra Alexander Zverev, nesta sexta-feira (30), e a interrupção para atendimento médico desencadeou protestos do adversário e reclamações sobre possível tratamento preferencial a estrelas do circuito.
Os fatos brutos foram os seguintes. Alcaraz venceu os dois primeiros sets por 6-4 e 7-6 (7-5). No terceiro set, já no nono game com o placar em 4-4, o espanhol mostrou dificuldade de locomoção: inicialmente queixou-se de dores no panturrilha que se estenderam ao quadríceps da perna direita. Em seguida, alongou-se por alguns segundos antes do saque e, após confirmar o serviço, solicitou um medical time out para atendimento na coxa direita. Entrou o fisioterapeuta da quadra.
Ao se aproximar da equipe, Alcaraz relatou ainda outro sintoma: “Vomitei, não sei se deveria tomar algo”. Durante o tempo concedido para o atendimento, foi administrada ao atleta uma pastilha apresentada como medicamento.
A decisão do árbitro de cadeira em autorizar o atendimento provocou a imediata reação de Zverev, que foi ao encontro do supervisor e protestou em tom exasperado. Em alemão, o tenista qualificou a situação como “inacreditável” e afirmou, segundo a apuração, que “é uma porcaria” permitir esse tipo de tratamento. Zverev ampliou a crítica para incluir outro nome do circuito: “Vocês estão protegendo estes dois o tempo todo” — referindo-se a Alcaraz e Jannik Sinner.
O ponto de disputa remete ao arcabouço normativo dos Grand Slams: em tese, o regulamento não prevê a concessão de medical time out especificamente para cãibras. No entanto, a interpretação do corpo de arbitragem nesta partida considerou o quadro apresentado por Alcaraz como lesão muscular — envolvendo o quadríceps da coxa direita — e, por isso, permitiu a interrupção. A decisão contrasta com o episódio envolvendo Jannik Sinner no confronto com Eliot Spizzirri, quando o italiano sofreu cãibras no terceiro turno e só pôde ser tratado durante a pausa provocada pelo fechamento do teto da Rod Laver Arena.
O registro é objetivo: há um precedente recente que alimenta a percepção de tratamento diferenciado, e a arbitragem do Australian Open optou por interpretar o caso de Alcaraz como compatível com solicitação de atendimento por lesão. A controvérsia levanta questões operacionais e de uniformidade na aplicação das regras em jogos de alto impacto — tema que será, seguramente, objeto de análise pelos órgãos reguladores e por equipes técnicas.
Relato técnico: os sintomas descritos (início em panturrilha e extensão ao quadríceps) são compatíveis com um quadro de fatiga muscular aguda associado a desidratação ou esforço intenso, circunstâncias comuns em partidas de alto nível. O papel do fisioterapeuta e a resposta imediata da equipe médica foram determinantes para a continuidade do confronto.
Nos próximos comunicados oficiais, a organização do torneio e os árbitros deverão explicitar os critérios que orientaram a concessão do medical time out para este episódio, com o objetivo de reduzir ruídos e evitar a sensação de tratamento desigual entre atletas.
Fim da apuração. Informação traduzida para o leitor: fatos verificados, sem especulação.






















