Por Chiara Lombardi — Em tempos em que a superfície se impõe como destino, a nova série The Beauty surge como um espelho cortante. Criada por Ryan Murphy em parceria com Matthew Hodgson e inspirada na banda desenhada de Jeremy Haun e Jason A. Hurley, a produção promete transformar a sedução pela perfeição em um roteiro de consequências mortais.
Composta por onze episódios, a narrativa estreia com os três primeiros capítulos na plataforma Disney+ no dia 22 de janeiro, seguindo depois em episódios semanais. O formato — primeiro um bloco de impacto, depois um pulso semanal — funciona como estratégia narrativa e mercadológica: entrega imediato choque e cria espaço para reflexão pública, debate e viralidade. É o tipo de lançamento que prevê a formação de um eco cultural, capaz de se espalhar entre feeds e cafés, influenciando conversas sobre imagem, tecnologia e ética.
A premissa de The Beauty não é novidade temática, mas sua execução promete complexidade. O ponto de partida é uma fábula contemporânea sobre a promessa de «aperfeiçoamento»: um produto que promete beleza instantânea e acessível — e que, por baixo da sua embalagem sedutora, carrega fissuras e horrores. É aí que a série atua como metáfora: mais do que um thriller, é um diagnóstico do nosso tempo, o roteiro oculto da sociedade que confunde cura estética com redenção.
Murphy, conhecido por sua habilidade em misturar drama, crítica social e espetáculo, desloca a discussão para terrenos perigosos e íntimos. Junto a Hodgson, ele explora como a **beleza** se converte em moeda e em controle, e como essa demanda transforma corpos, memórias e identidades. A origem em quadrinhos por Haun e Hurley empresta à série uma estrutura quase hiperdidática: imagens fortes, simbolismos precisos e um visual que conversa com a história em quadrinhos, sem, no entanto, perder o pulso do audiovisual contemporâneo.
Do ponto de vista cultural, The Beauty é também uma narrativa europeia e global: fala de padrões que circulam entre Milão e Los Angeles, dos salões estéticos às máquinas de likes, e de como a promessa de beleza instantânea tem efeitos diferentes conforme contexto social e histórico. É um reframe da realidade estética — e um convite para ler nas entrelinhas do brilho um roteiro de poder.
Para quem busca mais do que entretenimento, a série oferece camadas: thriller, crítica sociológica e fábula moral. Para quem prefere o espetáculo puro, há o talento de produção e a tentação visual que só uma série assinada por Murphy pode oferecer. Seja como for, The Beauty se apresenta como um dos títulos do início de 2026 que devemos assistir com olhos atentos — e uma pergunta constante: qual o preço real da perfeição prometida?
Estreia: 22 de janeiro de 2026 — primeiros três episódios disponíveis no Disney+, seguida de exibição semanal até o final dos onze episódios.





















