Por Chiara Lombardi — O formato Taratatà volta a ocupar o centro do palco musical como um verdadeiro reframe da cena pop: não apenas um show, mas um espelho do nosso tempo onde vozes consagradas se encontram com jovens artistas para recriar canções e significados. Nos dias 8 e 11 de fevereiro, a ChorusLife Arena de Bérgamo será o cenário de dois eventos que já respiram história — e que em breve serão exibidos em primeira faixa pela Canale 5.
Com a condução de Paolo Bonolis, o cartaz reúne nomes que formam um panorama da música italiana contemporânea: Giorgia, Annalisa, Emma, Alessandra Amoroso, Ligabue, Biagio Antonacci, Luca Carboni, Gigi D’Alessio, Elisa, Fiorella Mannoia, Negramaro e Max Pezzali. A proposta mantém a essência do original: nada de playback — cada performance é estritamente ao vivo, acompanhada por uma banda de alto nível e por arranjos que frequentemente convertem sucessos em duetos inesperados.
O conceito de Taratatà, nascido em 1993 na França a partir da ideia do apresentador Nagui, sempre privilegiou o encontro entre gerações e estilos. No formato, artistas são convidados a colaborar com colegas emergentes ou com nomes de universos musicais diversos, muitas vezes apresentando covers que redesenham o mapa afetivo do repertório. Entre uma interpretação e outra, o apresentador conduz conversas informais, investindo em uma narrativa que fala do percurso artístico e das escolhas criativas dos intérpretes — quase como sequências de um filme que revelam motivações e memórias.
Já na Itália, o programa estreou no final dos anos 1990: as primeiras edições nacionais foram apresentadas por Enrico Silvestrin (vindo do universo MTV) em 1998 e 1999, seguidas por episódios com Natasha Stefanenko e Vincenzo Mollica. O anúncio do retorno em 2026 marca não apenas a volta do selo Taratatà, mas também uma mudança de emissora e um novo capítulo narrativo com Bonolis no comando — um diretor de cena que promete mesclar humor sagaz e conversa afiada enquanto as luzes caem sobre as vozes.
Há algo de cinematográfico na própria mecânica do programa: cada performance funciona como um quadro que revela camadas do artista, reparando tanto no gesto interpretativo quanto na memória coletiva que a canção carrega. Quando artistas consagrados se rendem ao diálogo com nomes emergentes, o resultado ressoa como um eco cultural — reconfigurações que nos convidam a escutar o passado com novas lentes.
Os dois espetáculos em Bérgamo representam, portanto, uma cartografia afetiva da música italiana atual, onde tradição e experimentação se encontram. Para quem acompanha o zeitgeist musical, Taratatà volta a ser uma lupa: não meramente um evento, mas um roteiro oculto da sociedade que se revela nota por nota.
Informações práticas: as apresentações serão gravadas nos dias 8 e 11 de fevereiro na ChorusLife Arena (Bérgamo) e transmitidas posteriormente em horário nobre pela Canale 5. A proposta é clara: ao vivo, sem filtros, com a intensidade do instante — como nas melhores cenas do cinema, onde a emoção é capturada no take único.





















