É o dia de Giorgia Cardinaletti. A jornalista de origem italiana, natural de Fabriano, sobe ao palco do Festival di Sanremo 2026 não apenas como espectadora, mas como uma das vozes da noite final: co-condutora ao lado de Carlo Conti e Laura Pausini. O convite veio em plena transmissão ao vivo do próprio Conti, um gesto que transformou a televisão num roteiro onde a surpresa virou dispositivo narrativo.
A trajetória de Giorgia Cardinaletti é a de quem forjou credibilidade nas redações e nos estúdios da Rai. Começou como enviada e apresentadora no Rai News 24, consolidou-se em 2016 à frente do programa Pole Position e, em 2019, conduziu La Domenica Sportiva. Em agosto de 2019, migrou para o TG1, assumindo a edição das 20h — posição que lhe deu visibilidade nacional e a colocou no centro do diálogo público.
O repertório da jornalista inclui iniciativas que dialogam com o espetáculo e o jornalismo: em 2020 esteve em Sanremo para o projeto Dentro il Festival, disponível no RaiPlay, e foi também condutora de Via delle storie, um programa de entrevistas e investigação na Rai 1. Entre outros credits, participou de transmissões importantes como Telethon, TG1 Mattina Estate, Oscars – La notte in diretta, Un racconto infinito, a cobertura do Premio Campiello e a transmissão especial Prima della Scala.
Num movimento que confunde fronteiras entre realidade e ficção, em 2025 Giorgia Cardinaletti apareceu na série da Rai Minimarket, atuando como ela mesma ao lado de Kevin Spacey. Mais recentemente, lançou o formato TG1 Talks no novo canal do TG1 no YouTube, onde realizou entrevistas emblemáticas, entre elas com Laura Pausini — agora sua parceira de palco em Sanremo.
O momento do convite ao vivo por parte de Carlo Conti constituiu uma cena que vale como metáfora: a televisão como espelho do nosso tempo e o festival como um cenário de transformação, onde a presença de uma jornalista do principal telejornal do país traz uma outra semântica à noite final. Não se trata apenas de uma co-apresentação, mas de um reframe sobre como o jornalismo e o entretenimento se sobrepõem, trocando olhares sobre memória, identidade e espetáculo.
Para além do palco, a carreira de Giorgia Cardinaletti revela dias de redação e noites de transmissão que desenham um perfil de profissional que transita entre a reportagem dura e a curadoria cultural. Sua presença em Sanremo 2026 será, portanto, mais que um momento televisivo: será um pequeno episódio no roteiro oculto da sociedade italiana, onde as figuras públicas funcionam como pontes entre o acontecimento e sua leitura coletiva.
Em resumo, o festival ganhou hoje uma nota jornalística e simbólica. A chegada de Giorgia Cardinaletti ao palco final confirma uma tendência contemporânea: a fluidez entre papéis tradicionais e novos formatos na mídia. Para quem observa com curiosidade sofisticada, trata-se de mais um capítulo do eco cultural que a música, a tv e o jornalismo escrevem juntos.





















