Por Chiara Lombardi — Em tom de observadora cultural que sempre busca o roteiro oculto por trás dos eventos populares, acompanhei os números da estreia do Festival de Sanremo 2026 com o interesse de quem lê um cartaz de cinema em uma praça de Roma: nem só imagem, mas contexto.
A primeira noite apresentada por Carlo Conti foi seguida, em média, por 9.600.000 telespectadores na Rai1, correspondendo a um impressionante 58% de share em audiência total. O dado, embora menor que o do ano anterior — quando a abertura de 2025 registrou 12.630.000 espectadores (65,3%) — confirma que Sanremo 2026 mantém um papel central como espelho do nosso tempo midiático.
Em perspectiva histórica, esta primeira serata alcançou o quarto melhor resultado em share desde 1997, ficando atrás apenas das edições de 2025, 2024 e 2023. É um recorde que relembra como certos eventos culturais funcionam como salas escuras coletivas: mesmo com menos espectadores do que no pico recente, o festival conserva um eco cultural forte e seletivo.
O detalhamento por blocos revela nuances interessantes. A primeira parte do show (das 21:42 às 23:34) teve média de 13.158.000 telespectadores, com 57,7% de share; já a segunda parte (das 23:38 à 1:32) registrou 6.045.000 espectadores e 58,7% de share. Para comparação, na estreia de 2025 a primeira parte (das 21:15 às 23:26) alcançou 16.200.000 (63,7%) e a segunda (das 23:30 à 1:20) 8.300.000 (69,3%). Esses números mostram não só variações quantitativas, mas também o deslocamento do público ao longo da noite — um movimento que nos diz algo sobre hábitos de consumo de televisão e da cultura pop contemporânea.
No palco e nas votações, a sala de imprensa, TV e web apontaram as cinco canções que abriram o ranking provisório da noite. Carlo Conti divulgou as primeiras colocadas em ordem aleatória, sem expor a posição exata de cada uma. As músicas que surgiram no topo foram: Arisa com “Magica Favola”, Fulminacci com “Stupida Sfortuna”, Serena Brancale com “Qui con me”, Ditonellapiaga com “Che Fastidio!” e Fedez e Masini com “Male Necessario”.
Esse panorama preliminar — audiência expressiva, liderança de alguns nomes já conhecidos e a disposição das faixas no gosto da imprensa — é um pequeno espelho do festival como narrativa coletiva: existe sempre um entrelaçamento entre memória musical, estratégias de apresentação e o contexto histórico que cerca cada edição. Sanremo segue sendo, como emoldurado por muitas críticas e entusiasmos, não apenas um concurso, mas um laboratório de identidade cultural italiana que reverbera além das fronteiras.
Na próxima conferência de imprensa e nas próximas noites veremos se essas primeiras canções permanecerão no topo do ranking ou se o roteiro do público reserva reviravoltas — afinal, em festivais como este, a expectativa é a cena que move a plateia.
Veja também as notícias do dia 24 de fevereiro para completar o quadro da estreia.






















