Por Chiara Lombardi — A chegada de Sabrina Impacciatore ao universo de The Paper não é apenas mais um casting bem-sucedido; é a confirmação de uma trajetória que atravessa televisão, cinema e a nova narrativa serial global. A série The Paper, mockumentary spin‑off de The Office, estreia em exclusivo na Sky e em streaming apenas na NOW a partir de 26 de janeiro de 2026. Rendido já um novo pedido de temporada, o projeto chega com ares de pequeno fenômeno e com personagens que prometem funcionar como espelho do nosso tempo.
Na produção, Sabrina Impacciatore interpreta Esmeralda Grand, uma caporedattrice ad interim cujo temperamento excêntrico e mão manipuladora compõem o fio dramático e satírico da série. Rebaixada quando um novo chefe assume a redação, Esmeralda dedica‑se a sabotar o recém‑chegado: uma dança de poder e ressentimento que reflete, em microescala, as disputas de um mercado editorial em transformação. A personagem é, ao mesmo tempo, mulher de hábitos teatrais e peça chave para o humor ácido do formato mockumentary.
O que chama atenção, e que aqui nos interessa decifrar, é o porquê dessa escolha de elenco. Sabrina Impacciatore não é novidade para o público italiano: começou a construir sua carreira ao lado de nomes como Gianni Boncompagni, um dos artífices da televisão popular italiana, e consolidou‑se em cinema e séries com interpretações versáteis. Internacionalmente, ganhou novo fôlego após a visibilidade alcançada em The White Lotus, que abriu portas para projetos com alcance global.
Em termos semióticos, Esmeralda funciona como um reframe da figura da liderança mid‑level em uma redação contemporânea: não é vilã unidimensional nem heroína; é o reflexo conturbado das frustrações profissionais, do ego e do teatro cotidiano que sustenta qualquer redação de notícias. A série, ambientada num cenário que mistura a sátira ao realismo documental, transforma conflitos íntimos em críticas mais amplas ao consumo de informação — o roteiro oculto da sociedade que consumimos em binge.
Para além da televisão, a carreira de Sabrina tem contornos europeus e cosmopolitas. Entre os materiais divulgados sobre sua trajetória, circula também o trailer do filme do diretor Francesco Stefanoni (2021), lembrando que a atriz transita com naturalidade entre formatos e direções artísticas distintas. Essa fluidez formal contribui para que sua Esmeralda seja, ao mesmo tempo, caricata e dolorosamente reconhecível.
Com a estreia marcada para 26 de janeiro de 2026, The Paper chega num momento em que o público busca narrativas que comentem a própria cultura do trabalho, das aparências e do espetáculo midiático. Ver Sabrina Impacciatore assumir uma personagem tão complexa é assistir, em tempo real, à tradução de uma carreira construída entre a tradição televisiva italiana e o novo fluxo de exportação de talentos para plataformas internacionais.
Curiosidades rápidas sobre a atriz: iniciou‑se com projetos ligados a Gianni Boncompagni, conquistou espaço em cinema e TV, e teve reconhecimento global com participações em produções como The White Lotus. Em The Paper, sua Esmeralda promete ser mais um ponto de inflexão — tanto para a série quanto para a percepção internacional do talento italiano contemporâneo.
Enquanto aguardamos os episódios, vale observar como a série usa o formato mockumentary para explorar o ego cotidiano e a teatralidade das redações modernas. Em outras palavras, The Paper promete ser um espelho irônico e afiado: o entretenimento que, ao mesmo tempo, nos convida a pensar.






















