Ronn Moss completa 74 anos hoje, 4 de março de 2026. Nascido e criado em Los Angeles em 1952, o percurso que o levou das palhetas do baixo aos corredores de espetáculos de uma das novelas mais famosas do mundo tem aquele ar de reviravolta que o entretenimento adora — e que, por vezes, funciona como um espelho do nosso tempo.
Antes de se tornar conhecido internacionalmente como Ridge Forrester em Beautiful, Moss vivia a vida de músico. Ele iniciou a trajetória artística como baixista na banda The Players, sob a produção de nomes de peso como Robert Stigwood. Em entrevista ao Corriere, recordou que Stigwood, em tom de brincadeira, costumava dizer: “com essa cara você poderia até ser ator”. A frase foi repetida tantas vezes que, quando o conjunto se dissolveu no fim dos anos 1980, Moss resolveu tentar a sorte num teste para uma série de televisão — e acabou sendo escolhido. “Me aceitaram. Era Beautiful”, contou ele.
O salto do palco para a teledramaturgia não foi apenas uma troca de cenário: representou a entrada numa narrativa coletiva que se estenderia por décadas. A figura de Ridge Forrester tornou-se, para muitos, um arquétipo de paixão, ambição e conflito familiar — exatamente os ingredientes que mantêm as novelas vivas na memória cultural. Questionado sobre por que seu personagem entrou tão profundamente no coração do público, Moss respondeu com humildade e uma sabedoria própria de quem observa a vida como público e privado: preferiu deixar que aqueles que amavam o seu Ridge definissem o significado para si. “Não cabe a mim nomear as experiências dos outros. Sou apenas grato por ter compartilhado tudo isso com tanta gente e por tanto tempo”, disse ao Corriere em 2022.
Ao revisitar essa trajetória agora, aos 74 anos, percebe-se um roteiro oculto que muitos artistas conhecem: o reframe da realidade pessoal pelo prisma da visibilidade pública. A passagem de músico a ator funciona como uma metáfora da mobilidade cultural — quando a imagem se torna personagem e o personagem, memória coletiva.
Para os fãs e para os analistas culturais, o caso de Ronn Moss é um lembrete de como o entretenimento pode construir identidades transversais, conectando a cena musical à televisão e estabelecendo pontes entre gerações. Moss não se define pela glória da tela; ele manifesta gratidão por ter dividido esse capítulo com o público. É, ao mesmo tempo, um espelho do nosso tempo e uma pequena peça do grande mosaico das narrativas que moldam a cultura popular.
04 março 2026 | 07:25
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